Alejandro Sanz levanta bandeira na geleira de Apusiaajik, em apoio à campanha Salve o Ártico (©Greenpeace / Pedro Armestre)

 

A expedição no Ártico começou. O grupo do Greenpeace composto por jornalistas, cientistas, exploradores e pelo cantor espanhol Alejandro Sanz partiu ontem de manhã da cidade de Reijkiavik, na Islândia, rumo ao povoado Kulusuk, na região de Ammasalik, leste da Groenlândia, onde foram recepcionados pelos Inuits.

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Kulusuk é um dos povoados mais isolados do mundo. Nos mais de 20 mil quilômetros de costa da Groenlândia, existem apenas dois povos e cinco assentamentos, somando pouco mais de 3,5 mil pessoas.

No primeiro dia de viagem já foi possível ver evidências concretas das mudanças climáticas. Guiado por dois Inuits, o grupo de 15 membros calçou botas especiais para gelo e se uniram por cordas para percorrer a geleira de Apusiaajik – “pequena geleira” no dialeto kalaallisut, a língua Inuit –, que de “pequena não tem nada”, brinca Laura Perez, diretora de comunicação do Greenpeace Espanha.

“Vocês veem as marcas das rochas? Há cinco anos não se podia vê-las, estavam sempre cobertas de neve. Agora a neve nunca chega até ali”, explica Bendt, um dos guias Inuits. Foram os primeiros sinais de aquecimento vistos pelo grupo no coração do Ártico, alvo também da pesca industrial e da exploração de petróleo.

Alejandro Sanz acompanha a expedição para difundir a campanha #SalvaElArtico numa escala global. Do alto da geleira de Apusiaajik, o embaixador da campanha do Ártico estendeu uma bandeira do Greenpeace de dois metros com o lema “Salve o Ártico”.

Em contato com os Inuits, é possível dar outras vozes a esta história. George, o segundo guia Inuit, diz “estar muito contente” pelo fato do Greenpeace documentar as condições atuais da sua região e levar esse problema para o mundo inteiro, já que o degelo avança cada vez mais rápido. Os dados confirmam o que George diz: a geleira de Apusiaajik derretou 1,5 km nos últimos dez anos.

Entretanto, ao contrário de medidas de proteção, somam-se apenas mais ameaças. Pilar Marcos, responsável da campanha do Ártico, explica: “enquanto constatamos este desastre climático, nestas mesmas águas foram concedidos um total de 50 mil quilômetros quadrados para prospecções petrolíferas”.

A única maneira de inverter essa situação é exigir o fim das pesquisas e perfurações de petrolíferas que insistem explorar a região do Ártico, como a Shell, Gazprom, Statoil etc. E claro, seguir lutando para que a ONU declare o Ártico um santuário protegido.

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