A comunidade de Sobrado, em Novo Airão, no Amazonas, foi uma das primeira a contar com fornecimento de energia elétrica gerada por miniusina fotovoltaica e faz parte do programa Luz para Todos. (©Rogério Reis/Tyba)

 

Após quase dez anos do programa Luz para Todos ainda existem brasileiros sem acesso à energia. A iniciativa do governo federal que visava trazer energia às 3 milhões de residências brasileiras que estavam no escuro estimava que passada uma década faltariam apenas 342 mil casas para alcançar a meta. 

No entanto, matéria no jornal Folha de S. Paulo (leia a íntegra aqui) indica que o surgimento de novas moradias ampliou o total de residências sem luz para 1 milhão, atrasando os planos do governo.

Dois olhares diferentes podem analisar os resultados alcançados até hoje. Por um lado, quase 3 milhões de residências passaram a contar com energia e isso traz benefícios que podem parecer simples para quem está acostumado a ter fácil acesso à esse precioso bem. Ter uma geladeira em casa e poder armazenar alimentos é algo fundamental.

Por outro lado, parte das famílias ainda não contempladas terão que esperar até depois de 2014 para receber energia em casa, permanecendo no escuro.

A microgeração de energia renovável – seja por painéis solares ou pequenas turbinas eólicas – recebeu um importante incentivo no final de 2012, mas ainda precisa ser melhorada. A Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) publicou resolução que permite que os brasileiros gerem energia em casa, abasteçam a rede e ganhem desconto na conta de luz.

Nessa situação, o consumidor também é produtor de energia. O problema é que a regulamentação se aplica apenas para sistemas conectados em rede. Ainda não há iniciativa equivalente para sistemas isolados, fazendo com que o Brasil perca a oportunidade de oferecer energia para todos os brasileiros.

*Ricardo Baitelo é da Campanha Clima e Energia do Greenpeace Brasil