Foto: Greenpeace/Otávio Almeida

 

A desculpa é velha. E, pelo jeito, também é torta. Há alguns anos reduzindo o IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) para automóveis, o governo sempre usou a mesma justificativa: a medida vai gerar empregos e vai ser ótima para a economia do país. Nem tanto. Um estudo dos economistas Alexandre Porsse e Felipe Madruga, da UFPR (Universidade Federal do Paraná), mostra que, entre 2010 e 2013, os ganhos da medida para o PIB e geração de emprego foram pífios.

A pesquisa foi divulgada nesta sexta-feira, em matéria do jornal Valor Econômico. Segundo o levantamento, a contribuição positiva da desoneração do IPI dos carros para o PIB foi de apenas 0,02% ao ano, e no emprego, de 0,04% ao ano. O retorno para a economia brasileira, portanto, é baixíssimo diante dos custos para se gerar os subsídios.

E o pior: o ônus não vem com contrapartida dos fabricantes de veículos. Isso significa que, nos últimos anos, o governo vem passando a mão na cabeça da indústria sem que ela ofereça um retorno à sociedade. Igualzinho se faz com um filho mimado, conforme escreveu Sérgio Leitão, diretor de Políticas Públicas do Greenpeace, em artigo recente no Correio Braziliense.

Com tantos afagos, o mínimo que se espera da indústria brasileira de automóveis é que ela ofereça carros mais limpos e eficientes ao consumidor. Ou seja, que gastem menos combustível e emitam menos gases de efeito estufa. As mesmas marcas que produzem veículos por aqui já estão fazendo isso em outros mercados, como o europeu. Já passou da hora de dar esse passo no Brasil. 

O Greenpeace está desafiando as principais montadoras brasileiras a produzir veículos mais limpos e eficientes no país. Saiba mais aqui.