O Greenpeace está em Brasília acompanhando a reunião da Comissão Especial do Código Florestal e assiste aos últimos suspiros de um deputado isolado. Aldo Rebelo (PCdoB/SP), relator da proposta de mudança na nossa legislação florestal, não conseguiu agradar a ninguém com seu texto. Duramente criticado em esferas da sociedade civil e do movimento ambiental, Aldo recebeu, durante a reunião, vaias dos movimentos de agricultores familiares e pequenos proprietários, as classes que, ironicamente, justifica representar.

Durante a reunião, deputados contrários às mudanças relembraram o perigo de se votar matéria tão séria em ano eleitoral e ressaltaram os abusos da proposta contra nossas matas. Entre elas, o fim da função social das propriedades rurais, a anistia sem critério para quem já desmatou, a distribuição de poder para os estados definirem limites de preservação e a obrigação colocada na mão do contribuinte de pagar pela conservação ambiental.

Acossado pelas críticas, o próprio Aldo Rebelo anunciou hoje voltar atrás em alguns dos pontos altamente polêmicos da proposta. Pelo que disse o deputado, volta a valer o parágrafo primeiro do nosso Código, que garante que florestas são bens comuns de todos os brasileiros. Aldo retrocede também no item que dá aos estados poder de modificar o tamanho das áreas de matas no entorno de cursos d´água, à exceção das pequenas propriedades. Mais uma prova de que faltam certezas e debates para aprovar qualquer modificação.

Até mesmo os ruralistas, aliados ferrenhos de Aldo Rebelo, parecem tê-lo abandonado na reta final e decisiva da Comissão Especial, criada no ano passado para enfraquecer nossa legislação ambiental. O ruralista Valdir Colatto (PMDB/SC) é um dos deputados a pedir vista ao relatório.

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