Me chamo Bruno Leão, tenho 23 anos e sou voluntário do Greenpeace no grupo de Florianópolis. Nasci em Manaus, onde comecei meu voluntariado, em 2010. Mas desde 2013 vivo na capital catarinense, onde ajudei a fundar o grupo de voluntários da cidade. 

Estou na aldeia Sawré Muybu para ajudar o time da cozinha durante as atividades realizadas pelos Munduruku e ativistas pela proteção do coração da Amazônia. Para nós, o dia começa bem cedo (por volta das 5h). Somos os primeiros a levantar e geralmente os últimos a ir dormir, pois nosso papel é garantir que todos os ativistas e Munduruku estejam bem alimentados, já que o trabalho é sempre muito pesado para todos. 

Cozinha instalada na aldeia Sawré Muybu, do povo Munduruku, para dar apoio a ativistas e indígenas durante atividades de proteção ao território e contra as hidrelétricas (©Greenpeace)

 

Na cozinha não paramos nem um segundo, há sempre panelas para lavar, verduras para picar, pois a comida é feita em grandes quantidades. Somos responsáveis pela alimentação de mais de 50 pessoas! Mesmo assim, é muito legal ver o time da cozinha trabalhando unido, sempre muito animado, fazendo piada desde que acorda até a hora do jantar.

É também na cozinha que temos contato com todos que estão aqui. Logística, jornalistas, caciques…todos passam por lá e temos a chance de conhecer, conversar, e ver a especificidades do trabalho de cada um, os seus costumes e culturas diferentes.

Aqui na comunidade existem muitas crianças. Muitas mesmo! E elas estão sempre circulando em volta da cozinha, brincando, conversando e pedindo coisas. Nós as ensinamos a lavar os próprios pratos e tem sido muito engraçado. Até as que não alcançam a altura da pia se organizam para lavar seus pratos, mesmo que para isso alguém tenha que carregá-las.

Conhecer voluntários de outros países também é algo muito legal.  Ver que mesmo estando em países muito distantes, com culturas muito diferentes umas das outras, somos muito parecidos. Que a paixão que nos move é a mesma: lutar por um mundo melhor para todos. 

Foi pensando nisso que, junto com a campaigner de Floresta da Itália, a Martina, tivemos a ideia de reunir todos os voluntários para compartilhar nossas experiências, contar um pouco sobre nossos grupos e as ações que realizamos em nossas cidades e enviar uma mensagem para os voluntários que não puderam estar aqui para inspirá-los. Acredito que isso será incrível para os voluntários e estou muito orgulhoso de fazer parte disso.

No fim, vir para o Tapajós está sendo uma escola.  Nem tudo é fácil, claro. Mas saber o porquê de estarmos aqui e ver que estamos todos lutando por um mesmo objetivo, faz qualquer dificuldade parecer pequena demais e qualquer esforço válido. Tudo o que posso hoje é me sentir agradecido, pois faço parte de uma luta legítima. É pelo futuro de todos que estamos aqui e todo o esforço faz diferença. 

Junte-se a nós e assine a petiçãohttp://br.heartofamazon.org 

*Bruno Leão é voluntário do Greenpeace