Anfitrião da Rio+20, governo brasileiro abre novamente precedente ao desmatamento na Amazônia. (©Greenpeace/Daniel Beltrá)

 

No dia seguinte à divulgação do documento base das negociações na Conferência Rio+20, onde o tema da proteção florestal foi novamente esvaziado, o Greenpeace pode afirmar com propriedade que “o que (não) se propõe para as florestas, na redação atual, é uma vergonha”. Retirando do texto trechos que abordavam a necessidade de redução do desmatamento, o governo brasileiro se mostra coerente com a linha de atuação que vem seguindo, inclusive durante todo o debate – e o desmantelamento – do Código Florestal no Congresso.

Apenas algumas semanas atrás, a presidente Dilma entregou a Amazônia de bandeja ao agronegócio que financia o desmatamento, ao concordar com partes substanciais do novo Código Florestal ruralista. Para o Greenpeace, organizações da sociedade civil e mais de 80% dos cidadãos brasileiros, o novo Código é uma tragédia, e vai fatalmente comprometer os recentes avanços na redução do desmatamento brasileiro. Na Rio+20, pelo visto, não será diferente.

“O que o mundo precisa – um acordo entre os chefes de Estado para acabar com o desmatamento global até 2020 – não está sequer na mesa de debates. Ouvindo as negociações durante as discussões preparatórias temos a impressão de que ou está tudo bem com o meio ambiente no mundo, ou a situação é tão desesperadora que os governos estão simplesmente à mercê das grandes empresas que desmatam e se beneficiam da destruição da floresta”, diz artigo publicado hoje por Renata Camargo, coordenadora de Políticas Públicas do Greenpeace Brasil, e Martin Kaiser, coordenador de campanhas do Greenpeace Alemanha.

Há vinte anos, no Rio, os governos não conseguiram realizar uma convenção de florestas. Desde então, o processo da ONU sobre o tema florestal não conseguiu avançar e, na Comissão Preparatória da Rio+20, mesmo o presidente do “grupo dissidente” não ficou impressionado. Ele observou na última quinta-feira que apenas três parágrafos sobre florestas seria “embaraçoso” como resultado.  

“O número de parágrafos não é um grande problema, mas estamos de acordo que o texto da Rio+20 sobre florestas é vergonhoso. A única taxa tolerável de desmatamento é zero. O Brasil deve decidir se quer ser conhecido como a nação líder no caminho para a prosperidade sustentável e o desmatamento zero, ou como uma nação que mostrou que o desmatamento pode ser interrompido, mas não conseguiu fazê-lo simplesmente para atender interesses de um único sector focado no lucro a curto prazo”, afirma o Greenpeace.

Em contraponto à falta de iniciativa do governo brasileiro para proteger essa riqueza natural, maior patrimônio do país, organizações da sociedade civil no Brasil lançaram em parceria uma lei de iniciativa popular para forçar o Congresso Nacional a discutir uma lei de desmatamento zero. O Movimento dos Sem Terra (MST), a Igreja Católica e o Greenpeace estão recolhendo assinaturas para a iniciativa na Cúpula dos Povos. Mais de 330 mil pessoas já se juntaram à campanha. Faça sua parte e apoie essa causa.

Assine a petição.