Começou, hoje, a Conferência do Clima das Nações Unidas, a COP-18, em Doha, no Catar, que reúne representantes de 190 países para discutir as mudanças climáticas e assuntos como a redução da emissão de gases do efeito estufa. A expectativa é de que o principal debate será a extensão do Protocolo de Kyoto que está prestes a expirar para que o segundo período de vigência comece ainda em 2013.

As mudanças climáticas já são uma realidade e os governos precisam encarar este fato e agir urgentemente para evitar a catástrofe do aquecimento global. Só em 2012, presenciamos tempestades devastadoras, secas e enchentes que causaram a morte de pessoas no Estados Unidos, na China, na Índia, na África e na Europa. Tais eventos deveriam ser vistos como um sinal e um teste para ver como os governos protegerão suas pessoas.

“As mudanças climáticas não fazem mais parte de um futuro distante, já está presente. Ao final de um ano que viu os impactos das mudanças climáticas e a devastação de casas e de famílias em todo o mundo, a necessidade de ação é óbvia e urgente”, disse Martin Kaiser, da Campanha de Clima do Greenpeace.

O futuro do Protocolo de Kyoto, o único documento legal sobre as emissões de gases estufa, é o que o está em jogo em Doha. O Greenpeace pede que um segundo período de vigência seja estabelecido, uma vez que o Protocolo expira no final deste ano.

O problema das emissões de gases estufa vem se agravando. Nos últimos cinco anos, o aumento do uso de carvão causou o crescimento em mais de 60% das emissões globais de CO2, fazendo com que a quantidade de gases estufa emitidas tenha estabelecido um novo recorde. Recentemente, o Banco Mundial, a Agência Internacional de Energia e a UNEP alertaram sobre as consequências das mudanças climáticas.

“A economia mundial não está apenas indo na direção errada, mas acelerando na direção errada. Em Doha, os governos devem concordar sobre a continuação do Protocolo de Kyoto e devem tomar decisões ambiciosas e imediatas para reduzir as emissões”, completou Kaiser. “ Essas decisões vão enviar sinais claros para os investidores sobre o futuro da economia de energia. Os líderes mundiais devem incentivar a revolução energética e mudar sua matriz de energia suja para lima. É hora de acordar e encarar a realidade”.

Nas discussões em Durban, em 2011, os governos concordaram em assinar um acordo global jurídico e vinculante em 2015, comprometendo-se a reduzir as emissões para o período até que entre em vigor em 2020. Em Doha, eles devem mostrar um progresso real em direção ao acordo de 2015 e uma maior ambição em suas metas para 2020.

“Proteger o restante das florestas tropicais mundiais é uma parte fundamental da solução para enfrentar a crise climática”, disse Roman Czebiniak, Conselheiro Político Sênior do Greenpeace Internacional. “Os governos devem assegurar que um financiamento para a proteção das florestas será estabelecida no âmbito do Fundo do Clima Verde para garantir o financiamento adequado que poderá deter a destruição das florestas nos países em desenvolvimento. As florestas do mundo devem ser uma das principais soluções para as mudanças climáticas”.