O mergulhador Marco Ferraz embarcou há pouco tempo no Esperanza para fazer parte da equipe que está protegendo os oceanos no Pacífico. Abaixo, ele conta como surgiu sua paixão pelos mares e como conseguiu embarcar no maior navio do Greenpeace:

Eu costumava pensar que era apaixonado pelos animais, florestas , todas as belezas que podemos ver e sentir na natureza. Até que descobri que somos uma coisa só; natureza, humanidade, planeta Terra, são partes de um todo. Hoje sei que sou apaixonado pela vida. Sendo assim, sempre me mantive em contato com o meio ambiente, ecologia e como nosso consumo e comportamento afetam o ecossistema global. Os oceanos são especialmente fascinantes, pois a água exige dos animais adaptações distintas das que estamos acostumados a ver nos animais terrestres. Logo cedo decidi ser mergulhador. Fiz meu curso básico com dezoito anos de idade, e não parei mais, cursos, mergulhos, novos lugares, novos animais. Queria me profissionalizar rápido, pois o mergulho recreacional ainda é relativamente caro. Logo me tornei Dive Master, e trabalhei em lugares fantásticos da costa sudeste brasileira, como Angra dos Reis e Ilha Bela. Tive certeza que passaria o resto da minha vida no mar quando vi um dos doces gigantes marinhos, a Raia Manta, na Laje de Santos. Duas enormes criaturas brincavam com as bolhas dos nossos cilíndros enquanto nos deliciávamos com sua graça e tamanho (por volta de seis metros de envergadura).  O estudo da Biologia Marinha complementou minha paixão e afinidade. Fui viver em Santos, e estudei na Universidade Santa Cecília. Conheci métodos de pesquisa e o funcionamento do ecossistema marinho. Como a água é muito mais densa que o ar, seus componentes bióticos e abióticos se tornam mais integrados e interdependentes. Ou seja, qualquer modificação local afeta o todo, tornando o ambiente marinho mais sensível em relação ao ambiente terrestre. Como qualquer pessoa que procura se informar sobre as discussões mundiais sobre ecologia, ja conheço o trabalho do Greenpeace há muito tempo, e sempre quis trabalhar com essas pessoas que sempre estão onde o problema está. Pessoas que, além de pensar, discutir e escrever,agem. Vale muito mais o otimismo da ação do que o pessimismo do pensamento. Buscando me qualificar após me formar, fui aprender Inglês e aproveitar para conhecer a maior colônia de animais do mundo: a Grande Barreira de Corais, na costa leste da Australia. Estava trabalhando e estudando em Cairns, quando li nos jornais locais que dois manifestantes ambientalistas foram detidos pela polícia, e eles vinham de um navio do Greenpeace que estava atracado na cidade por alguns dias, o Esperanza. Não perdi tempo e fui até lá, com meu currículo nas mãos, muita vontade de trabalhar e um péssimo Inglês.  Me ofereci para zarpar com eles quando e para onde eles quiserem. Estavam com o time completo no momento. Mas enquanto estavam na cidade, eu estava por perto, ajudando no que era preciso, conhecendo essas pessoas tão especiais. Um dia antes de o Esperanza zarpar, o Capitão me liga dizendo que houve uma desistência, e que eu poderia ir com eles. Para onde? Águas internacionais dos Pacífico Central. Era um sonho se realizando (literalmente)...
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