Guarda costeira russa reage com violência contra ativistas que faziam protesto pacífico pelo fim da exploração de petróleo no Ártico (©Denis Sinyakov/Greenpeace)

Dois ativistas do Greenpeace Internacional foram presos depois de escalar uma plataforma de petróleo da estatal russa Gazprom no mar de Pécora, região do Ártico. O protesto pacífico desencadeou uma violenta e intimidante reação da guarda costeira russa contra os ativistas e a tripulação do navio Arctic Sunrise.

De acordo com relatos da tripulação, onze tiros foram disparados na água, nas proximidades do Arctic Sunrise, e a guarda costeira ameaçou atirar contra o navio, caso não abandonem a área. As autoridades russas exigiram ainda subir a bordo, o que foi prontamente negado pelo capitão. O Greenpeace Internacional considera ilegal e injustificável subir a bordo de seu navio sem autorização do capitão.

“Tal uso da força contra um protesto pacífico é completamente desnecessário e deve parar imediatamente”, disse Ben Ayliffe, da campanha do Ártico do Greenpeace Internacional. “Está claro que as petroleiras recebem especial tratamento das autoridades russas, que parecem mais interessadas em silenciar ativistas pacíficos que proteger o Ártico de empresas irresponsáveis como a Gazprom”, completou.

“Vamos ser absolutamente claros sobre isso: a verdadeira ameaça ao Ártico não vem do Greenpeace Internacional, mas de companhias como a Gazprom, que estão determinadas a ignorar tanto a ciência quando o senso comum ao perfurar mares remotos e congelados.”

A atividade teve início nessa madrugada (21h40, hora de Brasília) quando cinco botes infláveis provenientes do navio Arctic Sunrise seguiram em direção à plataforma Prirazlomnaya, da Gazprom, localizada no mar de Pécora.

A Gazprom planeja começar a produção de petróleo nessa plataforma no primeiro trimestre de 2014, aumentando o risco de vazamento em uma área que contem três reservas naturais protegidas pelas leis russas.

O Greenpeace ocupou a mesma plataforma em agosto de 2012. Nesta ocasião, o diretor-executivo do Greenpeace Internacional, Kumi Naidoo, estava entre os ativistas.