Trabalhadores rurais de Açailândia foram libertados de carvoarias que destroem a floresta amazônica no Maranhão (©Greenpeace/Ismar Ingber)
Na manhã desta quinta-feira, 2/8, após dois meses do bloqueio do navio Clipper Hope no Maranhão, a indústria de ferro gusa do estado assinou um compromisso público pelo desmatamento zero. Esta é a primeira indústria a aderir à campanha pelo fim do desmate das matas no Brasil. O objetivo desse acordo é livrar tal cadeia produtiva de violações ambientais, trabalhistas e sociais.
Uma das lideranças que mais lutam na região de Carajás, onde está localizado um enorme complexo minerador encrustado em plena floresta amazônica no Pará e no Maranhão, Padre Dário, compartilha conosco esta mensagem de que novos tempos podem chegar para toda a população que vive no entorno e para o meio ambiente.
“A Rede Justiça nos Trilhos, que integra associações e movimentos sociais na defesa dos direitos socioambientais ao longo do corredor de Carajás, acolhe com esperança a assinatura da declaração de compromisso proposta pelo Greenpeace às sete indústrias de ferro gusa do Maranhão.
A partir dessa declaração, faz-se necessário um trabalho consistente de fiscalização, para o qual o Estado do Maranhão e a União devem finalmente se dispor com responsabilidade.
Também se espera a apuração dos fatos e a punição dos responsáveis pelos atos denunciados no relatório ‘Carvoaria Amazônia: como a indústria de aço e ferro gusa está destruindo a floresta com a participação de governos’.
Às indústrias cabe ainda reconhecer o passivo ambiental devido à poluição, adotando medidas imediatas de reparação dos danos e de redução das emissões. Nossas organizações sociais continuarão atentas e seguirão denunciando eventuais novas ilegalidades.
Parabéns ao Greenpeace que desencadeou esse processo de estudo, denúncia e identificação dos responsáveis por esses graves delitos.
Basta de desmatamento de floresta nativa. Basta de impunidade."
