Gritaria, empurra-empurra, protestos e muita indignação. Homens da Força Nacional de um lado e muitas pessoas do outro, que tentavam arduamente entrar em um teatro já completamente lotado. Placas com os dizeres “Belo Monte Não” coloriam e completavam a tensa cena que ocorreu em Belém, no último dia 15, no início da quarta e última audiência pública para debater o projeto da Usina de Belo Monte, no Rio Xingu (PA).

A confusão foi causada pela súbita troca do local onde seria realizada a audiência: do auditório Ismael Nery (com capacidade para 750 pessoas), para o Teatro Margarida Schivazapa (com capacidade para 480 pessoas). Do lado de fora, um telão permitia que os interessados assistissem o evento, mas sem a possibilidade de participação direta. A desordem, aliada à falta de representatividade da população levaram o Ministério Público Federal a se retirar do local.

As coisas já andavam bem estranhas nas primeiras audiências, realizadas em Brasil Novo, Vitória do Xingu e Altamira, onde a população não compareceu expressivamente, devido às distâncias e dificuldades de transporte, típicas da região. Justamente quem será mais impactado com a construção da usina e, por isso mesmo, precisava comparecer e participar, teve seu direito praticamente negado.

Por essa dificuldade de participação efetiva da sociedade, o Ministério Público Federal irá entrar com o pedido de uma nova rodada de audiências. Segundo o portal G1, Roberto Messias, presidente do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), não vê problemas no que aconteceu. Para ele, as audiências foram feitas dentro da legalidade e que, em princípio, o instituto não vê a necessidade de realização de novos encontros.