Pode não parecer, mas 2010 é o Ano Internacional da Biodiversidade. No entanto, pouco tem sido feito que mereça qualquer tipo de comemoração. Seu começo foi de derrotas para baleias, atum-azul, corais e tubarões.

O que significa o Ano Internacional da Biodiversidade???

“AIB - A Assembléia Geral das Nações Unidas declarou o ano de 2010 como Ano Internacional da Biodiversidade, com o propósito de aumentar a consciência sobre a importância da preservação da biodiversidade em todo o mundo.

Esta celebração oferece excelente oportunidade para:

_ Evidenciar a importância da biodiversidade para nossa qualidade de vida.

_ Refletir sobre os esforços já empreendidos para salvaguardar a biodiversidade até o

momento, reconhecendo as organizações atuantes.

_ Promover e dinamizar todas as iniciativas de trabalho para reduzir a perda da biodiversidade.” (Documento de Diretrizes Gerais do AIB). Contrariando todo esse esforço, neste mês de março foi possível acompanharmos de perto a assinatura do atestado de óbito de muitas espécies da nossa biodiversidade marinha, para não entrar nos detalhes da biodiversidade terrestre.

Começamos com a reunião do grupo de trabalho da Comissão Internacional da Baleia (CIB), que apresentou uma proposta que praticamente legitima a volta da caça comercial na região Antártica, ainda que em números reduzidos. Um absurdo sem tamanho!

A volta da caça comercial, em pleno Ano Internacional da Biodiversidade, quando deveríamos “refletir sobre os esforços já empreendidos para salvaguardar a biodiversidade até o momento, reconhecendo as organizações atuantes”???

O processo ainda não foi encerrado e felizmente a Austrália apresentou uma contraproposta, que é voltada para o fim da caça comercial, pobremente disfarçada de ciência. Iremos acompanhar este assunto passo-a-passo.

Como se fosse pouco, estamos em plena reunião da Convenção sobre o Comércio Internacional das Espécies da Flora e da Fauna Selvagens em Perigo de Extinção (CITES). Agora sim podemos dizer: Bem vindo ao ano da destruição da biodiversidade.

Bom, eles falharam na maioria das resoluções. E os próximos capítulos prometem ser pouco animadores. Os governos estão cedendo ao lobby das empresas pesqueiras. A maior pérola que ouvimos por lá foi de uma, ou melhor a ÚNICA empresa de pesca que compareceu ao encontro: “Nós, setor produtivo, somos os maiores interessados em proteger as espécies”. Essa eu quero estar viva para ver acontecer.

O atum-azul e os corais sofreram derrotas e não foram incluídos nas listas (chamadas Apêndice) que proibiriam seu comércio. Os tubarões tiveram poucas boas notícias ontem, mas que ainda podem ser revistas hoje em plenário. Por enquanto, apenas o tubarão anequim ganhou com sua proteção. Os demais ainda estão pendentes a cair no caixão.

Não me pergunte qual país votou em qual resolução, por que a maioria dos votos foi secreto. Maravilhosa transparência!

John Frizzel, parte do time do Greenpeace que está em Doha para participar da Convenção, comenta: “Tem discussões de todo o tipo: a ciência diz que a população das espécies vem diminuindo, que elas possuem os critérios para serem protegidas pela CITES, que o comércio das espécies é que tem as levado para a extinção. Isso todo mundo concorda. Então, a única coisa a se fazer é listar as espécies para proteção. Mas isso não ocorre”.

Por que será?