Recentemente, tem repercutido nos setores elétrico e industrial a intenção do governo brasileiro em reduzir o valor da conta de luz. As tarifas, notoriamente altas em relação às médias internacionais, impactam o bolso dos brasileiros e a competitividade da indústria. 

Além disso, embutem encargos que misturam incentivos a fontes renováveis com subsídios a combustíveis fósseis. Às vésperas do anúncio oficial, o Greenpeace apresentou sua posição em carta à Presidenta Dilma Rousseff enviada ontem com trechos replicados abaixo.
Confira a carta completa aqui.

 

“Excelentíssima Sra. Dilma Rousseff,

Presidenta da República Federativa do Brasil

 Entendemos que na próxima semana o Planalto deverá anunciar um pacote de desoneração do setor elétrico. Acreditamos que a medida é correta e vem em bom momento para aumentar a competitividade da indústria nacional e desonerar as despesas da população com a sua conta de luz.

 Entretanto, pedimos atenção para que esse processo de desoneração seja conduzido de modo que não impacte negativamente o desenvolvimento de uma matriz elétrica limpa e sustentável. O Brasil verde e limpo só será possível com a ampliação da participação das novas fontes renováveis de energia como a eólica, solar, biomassa e pequenos aproveitamentos hidroelétricos. (...) “

 

*Atualizado 06/07/2012 às 21:40h:

Em anúncio em rede nacional, a Presidenta Dilma Rousseff anunciou uma redução de 16,2% nas tarifas residenciais de eletricidade e de 28% no setor industrial. A medida é positiva para o bolso dos consumidores residenciais e para as indústrias, mas é importante frisar que a tarifa brasileira ainda permanece em valores muito acima da média mundial. De acordo com estudo da Firjan (Federação das Indústrias do Rio de Janeiro) de 2011, a média de tarifas residenciais no mundo é de R$ 215,50/MWh e a média dos Brics é de R$ 140,70/MWh. Com a redução, as tarifas brasileiras, cuja média nacional é de R$329/MWh, cairiam para R$275,70/MWh e ainda permanecem 27,9% superiores à média mundial e 95,9% superiores à média dos Brics.

 As tarifas de eletricidade compõe-se entre parcelas de geração (25%), encargos (45%) e atividades de transmissão e distribuição (30%). Dilma reduziu a proporção dos encargos, mas ainda não mexeu na parcela de transmissão e distribuição. Esta será menos custosa apenas quando o modelo de obras distantes dos centros consumidores - como hidrelétricas na região Amazônica - der lugar ~a ampliação de usinas mais próximas dos consumidores, como parques eólicos e sistemas solares.