Ativistas foram às ruas de Florianópolis para alertar a população sobre os problemas ambientais e de saúde provocados pelo uso de carvão em termelétricas. Durante protesto, os ativistas fingiram estar doentes. (©Greenpeace/Rodrigo Petterson)

 

A Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) aprovou ontem os editais das licitações para os dois leilões de energia marcados para agosto. No dia 23, o leilão de energia de reserva será voltado para parques eólicos uma vez que a necessidade de linhas de transmissão para escoar a atual produção brasileira é urgente. Tanto é que consumidores tiveram que remunerar usinas eólicas construídas dentro do prazo, mas que não entregaram a energia ao mercado justamente por atrasos nas obras de transmissão.

Já o leilão do dia 29 será misto para hidrelétricas, termelétricas a carvão, gás e biomassa. As térmicas movidas a carvão não podiam participar dos leilões desde 2009 e preocupam o setor das energias renováveis uma vez que o governo dá cada vez mais sinais de que vai deslocar a matriz brasileira das renováveis para as fontes sujas.

Sérgio Abranches, analista político, afirmou hoje em comentário para a Rádio CBN que “as termelétricas a carvão além de representarem poluição e emissão de gases estufa, são caras”. O governo passou por um aperto no começo do ano já que com a seca dos reservatórios permaneceu muito tempo com as térmicas ligadas. Algumas das térmicas alcançaram o preço de R$800/MWh, valor que ao final pesou no bolso dos consumidores.

  • Ouça aqui o comentário de Sérgio Abranches.

“É importante termos uma parcela de termelétricas na matriz energética brasileira, mas não a carvão. Em um país que possui um potencial enorme de renováveis não precisamos de fontes sujas e poluentes, e se for para investir em térmelelétricas que sejam a gás natural que apresentam emissões até 70% menores do que o carvão”, afirmou Renata Nitta, da campanha de Clima e Energia do Greenpeace.