O fim de semana foi agitado aqui em Belém, como a Mari já contou no post anterior. A galera compareceu em massa para prestigiar nossa expedição Salvar o Planeta. É Agora ou Agora e fez filas gigantes para visitar o Arctic Sunrise, que está atracado no porto da capital paraense. Seguem dois depoimentos sobre o que rolou durante esse primeiro contato com a população local. No fim de semana que vem tem mais!

O lado humano do Arctic Sunrise

É realmente impressionante observar como as coisas acontecem dentro do navio Arctic Sunrise e também ao redor dele. A tripulação é dedicada, tudo é feito com extremo cuidado. O bom humor de todos apesar do trabalho puxado é uma declaração de amor ao planeta e ao Greenpeace. Voluntários acordam às 7 da manhã depois de um dia inteiro de trabalho e recomeçam com garra, energia, alegria. Isso se traduz em espírito de equipe, o único que pode fazer tudo isso acontecer.

Enquanto isso, do lado de fora do Arctic, a garra das pessoas não é diferente. Hoje, às dez e meia da manhã, o dia estava nublado em Belém, apesar do calor. Menos de uma hora depois, a fila somava cerca de 500 pessoas que esperavam para conhecer o navio e aprender mais sobre a preservação do planeta e as mudanças climáticas. A chuva veio forte e torrencial, mas as pessoas não foram embora. Persistiram. Meia hora depois, o sol voltou a brilhar. Neste momento a fila aumenta, tripulação e voluntários continuam o trabalho bem feito, visitantes entram e saem do navio sem trégua e a atmosfera que nasce e renasce a todo instante ao redor do Arctic Sunrise é de que, faça chuva ou faça sol, a expedição “Salvar o Planeta. É agora ou agora” seguirá em frente.

Karina Miotto ------------------------ ------------------------



Nove anos depois...

Em julho de 2000, o navio do Greenpeace “Amazon Guardian” atracou do lado de dentro dos portões da Companhia Docas do Pará. O navio chegou à cidade após mais de três meses de viagens pela Amazônia, especialmente pelo sudeste do Amazonas e pela região do Rio Xingu (PA), em campanha contra a extração ilegal de madeira. Na época, fomos recepcionados com outdoors espalhados pela capital paraense que nos acusavam de ser contra o desenvolvimento da região e do país e nos chamavam de invasores estrangeiros. Houve até um protesto com cerca de 300 pessoas ligadas à indústria madeireira contra a presença do Greenpeace na cidade. Em clima bastante tenso, os manifestantes cercaram Paulo Adario, diretor da campanha da Amazônia e gritaram palavras de ordem contra o Greenpeace.

Hoje, quando olho pelas escotilhas do Arctic Sunrise, me surpreendo com a fila de mais de 200 pessoas que aguardam com paciência e bom humor sua vez de conhecer o navio e participar da campanha “Salvar o Planeta: É agora ou agora”.

Na mesma praça em que fomos intimidados há nove anos, instalamos nosso evento de sensibilização e engajamento público em combate ao aquecimento global. O clima é de alegria, crianças brincam, namorados namoram...

Após quase onze anos trabalhando com o Greenpeace, é incrível constatar o quanto avançamos desde que começamos nossa campanha em defesa da Amazônia. A receptividade calorosa da população de Belém é uma prova de que, à medida que as pessoas conhecem e entendem nosso modo de agir e nossa independência, nossas campanhas ganham mais sentido e podem realmente fazer a diferença.

Às vésperas do Fórum Social Mundial, essa constatação me enche de esperança e de energia para continuar acreditando que um mundo melhor sim é possível. Só depende da nossa persistência e capacidade de seguir denunciando os crimes ambientais e mobilizando as pessoas.

Rebeca Lerer, coordenadora da expedição Salvar o Planeta. É Agora ou Agora