O fracasso da reunião anual da Comissão Internacional da Baleia (CIB) no Marrocos é a bola da vez de uma onda de decepções, que passaram pela Convenção do Clima, COP- 15, no ano passado e a última reunião da Convenção sobre o Comércio Internacional de Espécies Ameaçadas (CITES), que desconsiderou a proteção do atum-azul.

Após dois dias de reunião a portas fechadas, abertas apenas nos últimos três dias, a CIB optou por “esfriar” as discussões por mais um ano, não chegando a nenhuma decisão sobre a proposta de suspensão da moratória de caça às baleias, feita pelo diretor Cristian Maquieira.

Devido à ausência de Maquieira por razões médicas, o vice-diretor Anthony Liverpool foi quem comandou a reunião esse ano. Partiu dele a decisão de esfriar as discussões. Sob acusações de comprar votos dentro da CIB, o Japão matará, de forma cruel, outras mil baleias até a próxima reunião da CIB. Da mesma forma, Noruega e Islândia continuarão à parte da moratória, matando e comercializando centenas de baleias.

A situação não é nada boa para o time do ambientalismo. Segundo dados da própria CIB, a população das baleias azul, franca, fin, entre outras, é hoje de 0,003%, se comparadas a 150 anos atrás. Dados da Convenção da Diversidade Biológica indicam que 80% do estoque pesqueiro mundial dos quais se tem informação estão totalmente explorados ou sobreexplorados. A taxa de extinção atual mundial chega a 1.000 vezes a taxa evidenciada em padrões ‘naturais’.

A necessidade de uma mudança de prioridades, hábitos e consciência é urgente. Enquanto as questões ambientais continuarem às margens das agendas governamentais, mais e mais será desperdiçado, destruído e comprometido.

Será que é esse o futuro que continuaremos a aguardar, sentados em nossos velhos hábitos e dependências? A atuação de cada um é de vital importância para alcançarmos uma vitória contra a destruição ambiental. Somente nos unindo, todos, transformaremos o futuro que temos no futuro que queremos.

Por: Mikael Freitas, da campanha de Oceanos do Greenpeace