Ciclovia sendo implantada na Av.Dr Assis Ribeiro na região do bairro Ermelino Matarazzo no dia 08/08/2014. (© Carlos Alberto Vieira)

 

Nesta quinta-feira, dia 07 de Agosto, o Prefeito Fernando Haddad reuniu-se com cerca de 30 pessoas para discutir detalhes e próximos passos da implementação dos 400km de ciclovias na cidade de São Paulo. O Plano Cicloviário foi apresentado pela primeira vez em Junho de 2014, na reunião do Conselho Municipal de Transportes. Esse Plano pode ser considerado resultado do fortalecimento do diálogo da Prefeitura e outros órgãos do Estado e do Munícipio com cicloativistas, associações e organizações correlatas, que na última década vêm desenvolvendo um trabalho de mobilização social e política para garantir a introdução de mais bicicletas no cotidiano do paulistano.

Esta foi, na verdade, a segunda reunião sobre o assunto. A primeira ocorreu em Março de 2013, e desde então, observou-se um importante avanço no planejamento da infraestrutura de mobilidade da cidade, que se reflete no Plano Diretor Estratégico, como pontuou Daniel Guth, diretor da Organização Ciclocidade, cuja fala representava todas as organizações presentes como Ciclobr, Bike Anjo, Vá de Bike, Greenpeace, Ciclovia Pedroso de Morais, entre outros.

Reconhecendo a importância do momento que a cidade de São Paulo vive com relação à bicicleta, os presentes organizaram-se para discutir junto a todos os atores, com um olhar clínico, os aspectos abordados no Plano Cicloviário, apresentado pelo Secretário de Transportes Jilmar Tatto no ínicio da reunião. Redução da velocidade nas vias, travessia de pontes, pesquisa sobre origem e destino de ciclistas, comunicação efetiva para compartilhamento das vias com ônibus e aumento da participação dos ciclistas no planejamento foram alguns dos tópicos desenvolvidos durante a reunião. As pontuações dos ciclistas foram ouvidas e potencializadas quando Fernando Haddad garantiu manter reuniões trimestrais com os presentes para que a implementação dos 400 km de ciclovias na cidade se dê da melhor maneira possível.

Foi uma conversa dinâmica, com a participação entusiasta de todos os atores, em que o próprio prefeito assumiu estar diante de um desafio também cultural: como demonstrar a importância de veículos não motorizados numa sociedade onde o carro é visto como sinal de status e independência?

Falou-se sobre a bicicleta como solução da mobilidade, mas também como uma oportunidade para que as pessoas se tornem mais saudáveis e menos sedentárias, como uma maneira de exercer a cidadania e promover a educação infantil. A bicicleta é também uma forma de ocupação de espaços que culmina em uma cidade mais segura para todos, e por fim,  uma forma de proteger o meio ambiente e reduzir as emissões de gases de efeito estufa do setor de transportes.

Possibilitar o uso seguro da bicicleta, como enfatizou o prefeito, é uma causa da cidade. O mundo está mudando e temos condições de mudar também. A luta dos cicloativistas é a luta por um bem coletivo, e reconhece-se, no que tange à mobilidade urbana, que os projetos implementados em São Paulo têm potencial para ser referência no resto do Brasil. Por isso, a construção colaborativa e participativa desse Plano é uma grande oportunidade de fazer a mudança acontecer.

Como parte da equipe de mobilização na Campanha de Transportes do Greenpeace, como Bike Anjo, como Corredora Amiga e como cidadã e moradora da cidade de São Paulo, deixo um "Parabéns!" sincero e orgulhoso a todos os presentes na reunião, que demonstraram maturidade, humildade e experiência suficiente para a execução de planos que nos trarão benefícios a curto, médio e longo prazo. Penso que essas ações devem, de fato, ser direcionadas à cidade e às pessoas, e não apenas às bicicletas.

Por isso, continuaremos atentos aos detalhes deste e outros planos que envolvam o planejamento da cidade de São Paulo, acreditando que estamos fazendo parte de um período de transição importante para a sociedade e para o planejamento dos grandes centros urbanos.