Fonte: Instituto Laje Viva
Fonte: Instituto Laje Viva

Poucas pessoas sabem, mas a costa do estado de São Paulo é visitada, todos os anos, por uma das maiores espécies de peixes conhecidas do homem.  A raia da espécie Manta birostris, conhecida popularmente como raia manta ou raia jamanta, é um animal de presença regular dentre os meses de Maio a Setembro no Parque Estadual Marinho da Laje de Santos (PEMLS).

Foi na busca de conhecimento e entendimento desta espécie, e com o objetivo da preservação em mente, que os integrantes do Instituto Laje Viva, ONG que concentra suas atividades na proteção do PEMLS, decidiu estudar estes belos seres durante a atividade de mergulho.

O projeto começou em 2006, e tem como objetivo principal definir a freqüência e quantidade de indivíduos que passam por nossas águas a cada ano.  Os trabalhos consistem na foto-identificação de cada animal observado, com a utilização de imagens de sua região ventral.  O padrão de manchas exibido por cada uma das raias é o equivalente a uma “impressão digital”.  Com essas informações, foi possível montar uma base de dados que já identificou, desde o começo do projeto, 64 indivíduos diferentes na Laje no período de 1993 a 2008 (datas dos registros coletados dentro e fora dos trabalhos de campo do ILV).

Dra. Andrea Marshal
Dra. Andrea Marshall

Em 2008 foi feita uma parceria com a pesquisadora americana Dra. Andrea Marshall, da Foundation for the Protection of Marine Megafauna – Manta Ray & Whale Shark Research Center que é baseada em Moçambique. Essa parceria possibilitou a coleta de dados de deslocamento, profundidade e outros hábitos através do rastreamento dos animais por satélite.

Durante três semanas, entre Junho e Julho de 2009, a Dra. Marshall esteve no Brasil e junto com os pesquisadores e voluntários do ILV procuraram por Mantas em diversas saídas de mergulho. Quaisquer que sejam os resultados deste projeto daqui para a frente, fica claro que estudos como esse, realizados no Brasil com tanto empenho por ONGs e pesquisadores que muito se dedicam ao meio ambiente, geram conhecimento que pode e deve ser utilizado para a preservação e manejo sustentável de nossos recursos naturais.  A Laje de Santos, apesar de ser área protegida, foi quase dizimada de sua vida marinha no final dos anos 90.

Em Moçambique, Andrea trabalha cientificamente, mas aplicando os resultados à prática. As raias mantas estão ameaçadas de extinção, e os estudos voltados ao conhecimento da espécie servem de subsídios para a formulação de planos de ação para a conservação. Segundo suas próprias palavras: "This is the type of science that I believe in and that I try to promote (Esse é o tipo de ciência que eu acredito e tento promover".

Hoje em dia é fácil perceber os resultados de parcerias como esta, entre entidades governamentais, operadores de turismo e instituições como o Instituto Laje Viva.  Basta cair na água por lá, e não vão faltar grandes peixes, tartarugas, até baleias… e, se a sorte brilhar, quem sabe uma Raia Manta, que apesar dos seus até 7 metros de envergadura, passa graciosa e inofensiva, elevando nosso espírito e nos deixando uma memória inesquecível e uma excelente história para contar.

O Greenpeace esteve embarcado junto ao Instituto Laje Viva para acompanhar esse trabalho, e apesar de não encontrar as raias mantas por lá, pôde desfrutar de um excelente mergulho, com mais de 15m de visibilidade.

Se você ainda não conhece a Laje de Santos, não perca essa oportunidade, contate um dos operadores credenciados e sinta a diferença de mergulhar em um ambiente protegido como a Laje de Santos e ainda mais com a possibilidade de observar golfinhos, baleias-de-Bryde e as famosas raias mantas.

Caso você encontre uma raia manta em seu mergulho, não se esqueça de tentar o registro fotográfico da espécie e envie para o Insituto Laje Viva, sem dúvida você irá colaborar também para a conservação dessa espécie.

*informações fornecidas pelo Guilherme Kodja (Instituto Laje Viva) e Andrea Marshall (entrevista)