Um dos setores que teve suas emissões analisadas pelo Observatório do Clima foi o de energia.

O Observatório do Clima, do qual o Greenpeace faz parte, lançou hoje o Sistema de Estimativa de Emissões de Gases de Efeito Estufa (SEEG). Trata-se de um site que permite consultar dados sobre diferentes setores e sobre as emissões totais no Brasil, de 1990 a 2012.

O Brasil teve seu primeiro inventário de emissões em 2005, no qual foi feita uma retrospectiva até 1994 e depois foi lançado um segundo inventário em 2010. O objetivo do SEEG é disponibilizar anualmente as estimativas das emissões de forma consistente e acessível. Dessa forma, a sociedade civil pode compreender cada vez mais as mudanças climáticas e as implicações das tendências das emissões nas políticas públicas.

Segundo o relatório do IPCC (Painel Intergovernamental para Mudanças Climáticas) publicado em setembro deste ano, há 95% de certeza de que os seres humanos são responsáveis pelas mudanças do clima e pelo aumento da temperatura global, pelo menos nas últimas três décadas. É neste sentido que é importante que cada país compreenda como e de qual forma contribui para as emissões globais para que possa tomar medidas efetivas para diminui-las. 

“O desafio é como incorporar medidas de baixo carbono na economia do país sem gerar entraves ao desenvolvimento. É necessário que cada país atue conforme sua responsabilidade”, afirmou o ministro Everton Lucero. Durante a apresentação do SEEG, foram apresentadas as emissões dos diferentes setores brasileiros e o que espera-se que o Brasil alcance para ser considerar uma economia de baixo carbono. 

Para que haja chance de limitar o aumento da temperatura média global em 2oC, valor considerado limite pelo IPCC para evitar mudanças catastróficas, há o limite de emissão de 1000 Gton (gigatoneladas) de 1880 até 2100. Considerando que o Brasil continuará contribuindo com 3% das emissões mundiais, o país teria que chegar em 2050 emitindo apenas 0,3 Gton ao ano, apenas um quinto do que emite hoje.

Ricardo Baitelo, coordenador da campanha de Clima e Energia, participou de debate sobre as emissões de energia, no qual foram discutidas questões e propostas em relação ao setor de transportes e de eletricidade. “O Plano Decenal de Energia prevê o esgotamento das reservas das hidrelétricas até 2030, como solucionaremos o desafio de fornecer eletricidade sem sujar a matriz e diminuindo as emissões?”, questionou Baitelo.