quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

A gente já vinha alertando para o recente aumento do desmatamento na Amazônia. É um sopro que ouvimos aqui, é um alerta do SAD acolá, é uma coletiva mal explicada do governo para dizer que vai tudo bem, obrigado, mesmo que os números digam o contrário.

Nesta semana, o comentarista da CBN Sergio Abranches fez o mesmo alerta. Falou como o desmatamento está crescendo sim na Amazônia - não a índices estratosféricos como antes, mas recriando uma curva de ascensão que não se via há alguns anos. E ainda colocou o dedo no peito do governo, afirmando que aqueles que vestem saias e paletós em Brasília não estão prestando a devida atenção ao perigo que se avizinha.

Os motivos, continua Abranches, são os de sempre: o novo Código Florestal, que foi tão benéfico aos antes foras da lei que a expectativa de novas anistia alimenta novas grilagens; as obras de infraestrutura conduzidas distantes de questões ambientais; e o redesenho (em maior parte para reduzir) unidades de conservação.

Colocando tudo no mesmo balaio, os sinais de que há uma retomada do desmatamento se avolumam, assim como fica a cada dia mais claro que o Brasil joga para o ar avanços feitos nos últimos anos para controlar a destruição.

Vamos lembrar que mudar o Código Florestal virou questão de honra para os ruralistas apenas quando ele deixou de ser letra morta e passou a ser aplicado, infligindo penalidades aos criminosos. E a volta de planos militares de ocupação da Amazônia, exposto em projetos desenvolvimentistas em curso para a região, deixa um gosto amargo na boca.

Em 2009, o ex-presidente Lula, disse para todo o mundo como o país vencera sua maior chaga ambiental, o desmatamento na Amazônia, e com isso fazia uma importante contribuição no controle do aquecimento global. Um aumento de desmatamento, se confirmado, não chega a colocar em risco a meta voluntária criada na Política Nacional de Mudanças do Clima (até porque ela foi calculada para ser cumprida mesmo que tudo dê errado). Mas é suficiente para arrepiar quem pensa na quantidade de gases estufa que vai para a atmosfera com essa derrubada, especialmente após atingirmos o patamar de 400 ppm de gás carbônico neste ano. Dá duplo arrepio pensar na biodiversidade perdida.

Sergio Abranches é apenas um colunista na rádio. O Imazon, que gera o SAD, é apenas uma organização não governamental que produz dados científicos. O Greenpeace é apenas outra organização não governamental que luta pela Amazônia há mais de uma década. O governo pode desdenhar de nossos alertas e não dar atenção aos sinais. Esperamos que não seja essa a decisão. Existe algo mais errado na Amazônia do que os informes oficiais dizem, e esperar para ver o que acontece com o ambiente que vivemos é uma aposta que país nenhum pode se dar ao luxo no século 21. Qualquer aumento no desmatamento é motivo sim para alarme.

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