Chuvas torrencias afetaram na madrugada de ontem o distrito de Xerém, no município de Duque de Caxias, e deixaram seu rastro de caos e destruição (Agência Brasil - Vladimir Platonov)

 

Após dois anos da maior catástrofe natural registrada no Brasil, a qual atingiu a Região Serrana do Rio de Janeiro, resultando na morte de nada menos do que 900 pessoas, os fluminenses voltaram a sentir os efeitos das chuvas torrenciais no madrugada de ontem (3).

Foram afetadas Petrópolis e Teresópolis, na serra; e Paraty, Angra dos Reis e Mangaratiba, no litoral sul. A Baixada Fluminense também sofreu: o município mais afetado foi Duque de Caxias, especificamente o distrito de Xerém, além de Belford Roxo e Nova Iguaçu, que sofreram com as inundações. Mais de 4.800 pessoas foram atingidas em todo o Estado segundo a Defesa Civil.

Um conjunto de fatores contribuem para que o esta época do ano castigue com intensidade o Rio de Janeiro. "Antes de mais nada, encostas que outrora estavam protegidas pela Mata Atlântica -  severamente desmatada durante séculos - , agora dão lugar a casas, desestabilizando a fina camada de terra que as cobre. A proteção da mata ciliar dos rios, prevista no Código Florestal, não é levada a sério e isso facilita as inundações. E devido aos efeitos das  mudanças climáticas, as chuvas têm se tornado mais intensas. Somente em Xerém, a precipitação foi de 220 milímetros”, observa Sergio Leitão, diretor de Políticas Públicas do Greenpeace Brasil.

Importante destacar também que o governo federal aplicou apenas 32,2% dos recursos previstos para a prevenção e resposta a desastres em 2012. Ao todo, R$ 5,7 bilhões estavam autorizados no orçamento do ano passado, contudo, apenas R$ 3,7 bilhões foram empenhados e R$ 1,8 bilhão pagos.

Impressiona também o fato de o Cemaden (Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais) ter sido criado justamente pelo governo Dilma após a tragédia na Região Serrana e ele não atuar na Baixada Fluminense. Outra questão preocupante é que, segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), somente 6% dos municípios contam com planos para prevenir desastres.

“Em decorrência das mudanças climáticas, estamos condenados a conviver com eventos extremos cada vez mais intensos e se os governos não fazem a sua parte não adianta se lamentar depois, pois a chuva virá sempre como desculpa fácil para sua inação. Resta esperar que Brasília e Sérgio Cabral digam ao país o que será feito para evitar novas mortes já que o Inmet (Instituto Nacional de Meteorologia) indica: vai chover muito neste verão”, finaliza Leitão.

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