Prirazlomnaya, plataforma da Gazprom responsável pelo início das perfurações no Ártico. (©Denis Sinyakov/Greenpeace)

 

Mesmo com forte pressão internacional, a Gazprom iniciou este ano a exploração de petróleo no Ártico. Embora a petroleira russa tenha apresentado um plano de contingência contra vazamentos recheado de brechas e inconsistências, o primeiro carregamento de petróleo proveniente do Ártico está previsto para chegar à Europa já em maio.

O Greepeace analisou o plano de contingência (Oil Spill Response Plan, ou ORSP em inglês) publicado no site da própria Gazprom, e inúmeras falhas foram encontradas, o que coloca em xeque sua efetividade.

Entre as brechas do texto, algumas podem ser consideradas graves. Falta definir a operação de contingência em caso de vazamento de 1,5 a 5 toneladas de óleo (previsto em constituição), sendo que a Gazprom não leva em consideração as condições extremas da região. Além disso, o OSRP dá preferência à limpeza mecânica, comprovadamente ineficaz em alto-mar e inútil em caso de água encoberta por camada de gelo.

Foram quase vinte anos para que a Gazprom finalmente conseguisse extrair petróleo do Ártico. Pergunta: como, portanto, um documento incompleto de contingência pode ser considerado satisfatório? É essa questão que o Greenpeace vai fazer ao Procurador Geral da Rússia até a chegada do carregamento na Europa.

A irresponsabilidade da Gazprom pode custar muito caro ao planeta inteiro. Nós vamos continuar de olho, pressionando pela preservação do Ártico.