No fim de agosto, ativistas do Greenpeace, entre eles o diretor-executivo internacional, Kumi Naidoo, ocuparam a plataforma da Gazprom pela proteção do Ártico. (© Denis Sinyakov / Greenpeace).

 

Após a gigante de petróleo e gás Shell ter decidido abandonar o projeto de exploração do óleo no Polo Norte este ano, outra das maiores empresas do ramo no mundo, a russa Gazprom, anunciou, nesta manhã, que também vai adiar seus planos de perfurar o oceano Ártico.

Apenas algumas semanas atrás, a companhia tentava provar para todo mundo e, ao que parece, inclusive a si mesma, que o bombeamento de petróleo em sua plataforma Prirazlomnaya, no mar de Pechora, era seguro. Agora, no entanto, a Gazprom teve que admitir que a segurança do equipamento não é perfeita, e que a produção de petróleo na região pode ser de fato arriscada.

No fim de agosto, ativistas do Greenpeace, entre eles o diretor-executivo internacional, Kumi Naidoo, ocuparam a plataforma Prirazlomnaya, interrompendo por cerca de 15 horas as operações da petroleira russa, para pedir que a empresa abandonasse seus arriscados planos de perfurar os poços na região do Ártico.

A decisão da Gazprom fez dela a última empresa de petróleo e gás a suspender seus planos de produção no Ártico. Antes dela, a British Petroleum, na baía de Baffin (Canadá), a Shell, no Alasca, e a Cairn Energy, que explorava perto da costa da Groenlândia, já declararam a suspensão de seus trabalhos.

Um dos motivos dessas desistências foi a imensa mobilização da sociedade civil mundo afora, para proteger o vulnerável ecossistema do Ártico, que alcançou neste ano de 2012 o maior nível de degelo que se tem conhecimento, desde que as medições começaram, em 1979.

Cerca de 2 milhões de pessoas ao redor do globo já declararam seu apoio à campanha do Greenpeace para a criação de um santuário internacional na região do Polo Norte, e que manterá a exploração de petróleo e a pesca predatória longe deste frágil ecossistema.

“Estamos certos de que a recente decisão da Gazprom é o primeiro passo para a completa renúncia de todos os planos de produção de petróleo do Ártico. A industrialização do Ártico não é nada além de uma corrida politicamente tendenciosa pela última e superfaturada gota de óleo, uma corrida que deve ser interrompida”, afirmou Vladimir Chouprov, coordenador da campanha de Energia do Greenpeace Rússia.

“O Greenpeace já alertou a Gazprom dos perigos e dos riscos injustificados da produção de petróleo em Prirazlomnaya. Ficamos muito felizes com a decisão da Gazprom de suspender a produção de petróleo em sua plataforma no mar de Pechora. Isso demonstra que a empresa está oficialmente preocupada com as questões de segurança no equipamento. Estou certo de que nós e todos que apoiam o Greenpeace contribuímos muito para esta decisão”, concluiu Vladimir Chouprov.

As operações de perfuração foram adiadas até meados de 2013. Assim, temos mais um ano para parar todos os planos de desenvolvimento industrial no Ártico. Junte-se a nós para proteger essa frágil região.

 

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