Se a perda de vegetação nativa atingir 40% da Amazônia, em 2050, a capacidade de produção de energia em Belo Monte cairá para 25% (© Daniel Beltrá / Greenpeace).

 

Em plena mudança do clima global, o valor das florestas para o equilíbrio do planeta ainda é contestado. Mas um estudo publicado nesta semana por pesquisadores brasileiros na revista americana PNAS demonstra que, sem as matas tropicais, nem mesmo a produção de energia elétrica pode se sustentar.

A pesquisa comprova que, quanto mais floresta, maior será o potencial de usinas hidrelétricas localizadas na região amazônica. Isso porque a relação entre as florestas e a chuva é dinâmica: as árvores liberam vapor d'água, aumentando a precipitação. Menos árvores, menos água para gerar energia.

Focado na usina de Belo Monte, o trabalho considerou a influência que a floresta tem na produção de chuva e como o desmatamento pode reduzir esse potencial. Nos níveis atuais de perda florestal, o volume de chuva é entre 6 e 7% menor do que com a cobertura florestal completa.

Num cenário ainda pior, onde a perda de vegetação nativa atinja 40% do bioma, em 2050, o volume de chuva seria reduzido de 11 a 15%, fazendo com que a capacidade de produção de energia em Belo Monte caia a 25% da capacidade máxima da planta ou a 40% das próprias projeções da usina.

Por outro lado, se houvesse uma recuperação de tudo o que já foi desmatado na Amazônia, a produção de Belo Monte chegaria a sua capacidade máxima instalada, de 11,2 mil megawatts. Belo Monte foi projetada para ser a terceira maior usina do mundo e suprir 40% do crescimento do Brasil em produção de eletricidade até 2019.

“Acabar com o desmatamento deveria ser visto como uma questão de segurança energética nacional”, afirmou ao jornal Folha de São Paulo um dos autores do trabalho, Daniel Nepstad, do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam).

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