O ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes, voltou a repetir hoje, na audiência pública da Comissão de Meio Ambiente da Câmara dos Deputados, que não é preciso derrubar mais nenhuma árvore para que o Brasil aumente sua produção de alimentos; que há terra suficiente em áreas já abertas e não é preciso mais desmatar. E disse mais: que o país precisa encontrar maneiras de compensar o proprietário que ainda tem direito de desmatar legalmente para que ele não queira derrubar a floresta.

E não foi só isso: a fala de Stephanes coincidiu com o da senadora Kátia Abreu (DEM-TO), presidente da CNA (Confederação Nacional de Agricultura), em artigo publicado pelo jornal “Folha de São Paulo”, afirmou: “[...] estamos defendendo o desmatamento zero, a consolidação das áreas de produção de alimentos e a atualização da legislação ambiental [...]. Os ambientalistas sensatos, sensíveis à realidade e cada dia mais numerosos, engajam-se cada dez numa linha de combate sistemático ao desmatamento, mas operando uma estratégia de avanços pragmáticos que preservam a produção ecologicamente correta. Tanto atentos à impostura dos grileiros quanto à preocupação de otimizar a vigilância dos satélites”.

Parece até que combinaram!... Para melhorar, o deputado José Sarney Filho (PV-MA) desafiou os ministros Stephanes e Carlos Minc, do Meio Ambiente, a criarem uma moratória ao desmatamento.

Todas declarações de hoje estão em total sintonia com o trabalho do Greenpeace na Amazônia e com a vontade da maioria dos brasileiros: o fim do desmatamento na Amazônia, um dos maiores berços de diversidade biológica e cultural do planeta. Diante da crise climática cada vez mais intensa, a proteção da Amazônia pode significar, acima de tudo, nossa sobrevivência. Esperamos que as palavras do ministro e da senadora se transformem em atos rapidamente, possibilitando o desmatamento zero na Amazônia e o bom uso das áreas já degradas.