Ativistas seguram banners em frente do consulado da Rússia, em São Paulo, e entregam carta ao consulado pedindo a libertação dos ativistas presos na Rússia. (©Paulo Pereira/Greenpeace)

 

O Greenpeace foi ao Ártico protestar contra a exploração de petróleo e acabou encontrando ainda mais problemas: a tripulação inteira do Arctic Sunrise, composta por 30 pessoas, foi presa e está sendo mantida sob custódia da Guarda Costeira Russa desde a tarde de ontem. Entre os tripulantes, está a brasileira Ana Paula Alminhana Maciel, de 31 anos.

Como os ativistas são mantidos isolados, sem qualquer assistência jurídica ou consular, o Greenpeace foi no consulado russo para entregar nas mãos do embaixador Sergey Akopov uma carta explicando a situação e pedindo a libertação de todos os 30 ativistas que realizavam protesto pacífico.

A equipe foi recebida com desnecessária violência, e o funcionário do consulado nem ao menos aceitou receber o envelope, expulsando os ativistas do prédio. A única orientação foi depositar a carta na caixa postal da embaixada, e nem ao menos uma confirmação de rebimento foi concedida.

Atuando dentro de termos legais, pede-se que a requisição seja transferida para o governo russo em Moscou imediatamente, em prol da liberdade dos ativistas e do navio, que se encontram detidos de maneira ilegal e desrespeitosa pelas autoridades russas.

Trocando em miúdos...

A atuação da Guarda Costeira Russa mostrou-se totalmente desmedida em relação ao protesto pacífico, o uso excessivo de violência para conter os ativistas não é, de maneira nenhuma, justificável.

Sem acusações, os oficiais tomaram o Arctic Sunrise de maneira ilegal. Segundo a convenção de Leis Marítimas da ONU, todo e qualquer navio estrangeiro tem direito de navegar livremente nas EEZ’s (zonas exclusivas de comércio). O Arctic Sunrise navegava a EEZ da Rússia quando foi invadido pela Guarda Costeira.

A intervenção policial, desmedida e ilegal, é um símbolo da relação entre as grandes empresas de petróleo e o governo russo. A russa Rosneft, maior estatal de petróleo do mundo, assinou a exploração em conjunto com outras gigantes como Shell, ExxonMobil e Gazprom em águas do Ártico russo, onde a lei é frouxa e negligente. Esse desfecho mostra que a Guarda Costeira Russa serve praticamente como uma guarda particular da Gazprom, a mando do Estado russo.

O ministro de Relações Exteriores da Rússia chegou a declarar oficialmente que o navio Arctic Sunrise era uma ameaça ao meio ambiente e ao Ártico. A real ameaça, na verdade, vem das companhias de petróleo como a Gazprom, que perfura de modo não-convencional, modalidade que envolve sérios riscos em caso de erro. Sem contar a conivência do governo russo com o lucro em despeito à preservação do Ártico. Derramamentos de petróleo na região teriam consequências catastróficas, que acarretariam na devastação do ecossistema local.