A Comissão Extraordinária de Direitos Humanos, na Praça Roosevelt. Foto: NINJA

 

“Somos os filhos esquecidos dessa pátria”. A fala do índio Lindomar Ferreira, liderança do povo Terena, ecoou na Praça Roosevelt, São Paulo, nesta sexta-feira à noite. Os olhares atentos em torno dele provavam, porém, que nem sempre é assim como ele diz. Na Comissão Extraordinária dos Direitos Humanos e Minorias – evento realizado por grupos e coletivos culturais independentes – dezenas de pessoas compareceram para se informar sobre o atropelo aos direitos indígenas que o Brasil vem enfrentando.

“Desde o governo Lula, nunca se investiu tanto contra os direitos dos povos indígenas”, lamentou Lindomar. Tanto é assim que, há mais de um mês, centenas de indígenas deixaram suas aldeias para protestar país afora contra obras que vão afetar suas terras, contra leis que estão sendo propostas para reduzir seus direitos e contra uma política de desenvolvimento que está passando por cima – em alguns casos literalmente – dos povos tradicionais.

O encontro na Praça Roosevelt é mais um desdobramento dessas manifestações, e contou com a presença de lideranças de diferentes povos, além de representantes de organizações da sociedade civil. Os convidados citaram a truculência da polícia nos protestos dos últimos dias em São Paulo para lembrar que a mesma brutalidade é usada, via de regra, com os indígenas. Há algumas semanas, um Terena foi morto em conflito de terra no Mato Grosso do Sul. E nos últimos anos, ele não foi o único.

“O aumento de mortes de indígenas aumentou 269%”, alertou Lindomar, chamando a sociedade a se organizar para mudar o rumo dessa história. A indígena Fernanda Kaingang, da etnia que carrega no nome, também comentou o descaso do governo com os povos nativos. “Desde a ditadura militar, o governo Dilma é o que menos demarcou Terra Indígena”, informou. E criticou o desequilíbrio político e de recursos entre a causa indígena e o setor do agronegócio, alfinetando: “Terra pra gente não é fonte de renda, é fonte de vida”.