Foto: Marizilda Cruppe / Greenpeace

 

Lucia Rangel, doutora em antropologia pela PUC-SP, fará parte da mesa de debate “Desafios Socioambientais atuais – Um panorama dos conflitos na Amazônia”, amanhã, dia 25, que será uma das atividades promovidas pelo Greenpeace na Jornada Mundial da Juventude.

A antropóloga foi coordenadora do relatório “Violência Contra os Povos Indígenas”, publicado em 2012, pelo CIMI (Conselho Indigenista Missionário). Abaixo, leia a entrevista sobre os desafios que os povos indígenas enfrentam atualmente.


Como o atual modelo de desenvolvimento afeta os povos indígenas?
O desenvolvimento brasileiro é resultado da violação dos direitos indígenas. Há uma imposição de um padrão desenvolvimentista, de um modelo de sociedade mais valorizado. Os direitos indígenas vão sendo solapados e, se eles resistem, são vistos como atrasados.

Quais foram os principais problemas identificados no relatório do CIMI sobre os povos indígenas?
A violência causada pelo desmatamento, garimpo e a pesca ilegais tem aumentado muito e é muito preocupante. Esses episódios não são realizados apenas contra os povos indígenas, mas contra todas as comunidades ditas tradicionais ou que têm atividades que dependem dos recursos da floresta. Todos eles estão sendo atingidos por essas ações irresponsáveis e extremamente destruidoras.

Quais fatores têm agravado essa situação?
Nos últimos dois, três anos, desde que começou a discussão do novo Código Florestal, o desmatamento tomou uma proporção absurda. Os grandes projetos do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) também são obras que têm afetado as áreas indígenas de uma maneira muito desrespeitosa.

Como a senhora vê a aproximação do público da Jornada Mundial da Juventude com as questões da Amazônia?
A Igreja Católica desenvolve trabalhos sociais muito relevantes junto às comunidades carentes, tanto na cidade, como no campo. Eles são muito presentes nas questões sociais. Além disso, é interessante também que seja um público jovem, pois é uma oportunidade de conscientização a respeito dos problemas do Brasil. É muito relevante discutir as questões da nossa sociedade para que as pessoas não saiam por aí espalhando ideias preconceituosas e racistas sobre quem vive no campo.

O que a senhora acha da campanha do Greenpeace pelo Desmatamento Zero?
Eu apoio e já assinei a petição. O fim do desmatamento é muito importante para a questão indígena. Ele é importante por nos fazer pensar um novo modelo, refletir e optar por ações que sejam compatíveis com um modo de vida mais justo e equilibrado.