A imensidão da floresta amazônica encanta a todos que sobrevoam a região. Mas a soja avança a passos largos, tomando conta de tudo.

Ver a imensa floresta amazônica do alto deve ser uma imagem e tanto. Digo "deve" porque nunca tive essa oportunidade. Caroline Donatti, assessora de imprensa da campanha de Amazônia do Greenpeace, teve recentemente e ficou encantanda - mas também triste com a destruição que viu. Caroline nos relata aqui o sobrevôo que fez recentemente com alguns jornalistas por conta da divulgação do mapa elaborado pelas comunidades tradicionais de Santarém e Belterra (oeste do Pará) que mostra os impactos do avanço da soja sobre a região amazônica. Segue abaixo:

No sobrevôo que fizemos com os jornalistas entre Manaus e Santarém o choque visual foi brutal. A paisagem de floresta intacta, característica do estado do Amazonas, é rapidamente substituída por mosaicos de ilhas de mata cercadas por plantações de soja. O impacto dessa mudança chega a fazer nossos olhos marearem. É triste.

O rio Tapajós, que circunda a região, não combina com essa paisagem nova e que foi imposta. A beleza da região de Santarém com suas praias de areia branca fica comprometida com a quantidade de silos de armazenagem de grãos e áreas devastadas.

Ao percorrer a região por terra, a situação é ainda mais chocante. A soja se embrenhou por tudo quanto é lado.  Escolas e comunidades estão cercadas, tem até um cemitério inteiro rodeado por soja. Os pequenos agricultores da região também se sentem acuados, muitas vezes ao ponto de não quererem se indentificar depois de darem uma entrevista. O conflito por terra é grande. Ameaças diretas e indiretas são comuns.

Os imóveis são disputados metro a metro, principalmente agora que o valor da terra aumentou na região. Os agricultores, por sua vez, não têm interesse algum em viver numa região sem terras disponíveis para “roçar”, mas também não querem deixar para trás tudo o que construíram. O fato é que a soja alterou a dinâmica das comunidades e que a vida deles é diferente agora.  A única coisa que podemos fazer é não deixar que esse cenário piore.