Líder indígena de Rondônia, Almir Suruí é escolhido Herói da Floresta para América Latina e Caribe em 2013 (Foto: reprodução Facebook).

 

Em sua segunda edição, o prêmio Herói da Floresta, concedido pela Organização das Nações Unidas (ONU), contemplou novamente um brasileiro. O líder indígena Almir Suruí foi o escolhido da vez para representar a América Latina e o Caribe. A cerimônia oficial de entrega está prevista para ser realizada na noite desta quarta-feira em Istambul, onde acontece o Fórum sobre Florestas da ONU, que reúne representantes de 197 países.

Líder do povo Paiter Suruí, de Rondônia, uma das regiões mais devastadas da Amazônia, Almir é morador da Terra Indígena Sete de Setembro, e criou diversas iniciativas para preservá-la. Os projetos visam a valorizar a cultura de seu povo e combater o desmatamento ilegal em seu território.

A partir de uma parceria com o Google e algumas organizações socioambientais, os Suruí disponibilizaram a usuários da internet um mapa com informações sobre sua cultura e história, além de denunciar a derrubada ilegal de floresta, fotografando os locais exatos dos crimes e enviando às autoridades competentes.

No ano passado, o então diretor da Campanha Amazônia do Greenpeace, Paulo Adario, recebeu o mesmo prêmio por conta de seus mais de 20 anos de luta pela proteção das florestas. Junto com ele, o casal de extrativistas José Claudio e Maria do Espírito Santo, assassinados em 2011, também foi homenageado postumamente.

Infeliz coincidência, a escolha de Almir este ano acontece no mesmo dia em que foi criada, na Câmara dos Deputados, uma Comissão Especial para avaliar a PEC 215, que passa ao Legislativo a competência de decidir sobre a criação e demarcação de Terras Indígenas. A portaria foi duramente criticada pelos povos indígenas, uma vez que demonstra mais um ato de desrespeito a seus direitos garantidos.

A medida é uma das muitas manobras da bancada do agronegócio no Congresso Nacional que vão contra a preservação do meio ambiente e de seus povos tradicionais, afrontando a própria Constituição brasileira. A consulta aos povos indígenas sobre quaisquer atividades que os afetem é garantida pelas leis nacionais, além de outras convenções internacionais ratificadas pelo Brasil no âmbito das Nações Unidas.

O objetivo da criação da Comissão Especial é agilizar o processo de votação da matéria. Assim, ela não precisa passar por todas as comissões permanentes que envolvem o tema. Depois de aprovada na Comissão Especial, a PEC seguirá direto para o plenário, depois para o Senado. A criação da Comissão foi um compromisso do atual presidente da Câmara, Henrique Eduardo Alves, com a bancada ruralista.

A gente já viu esse filme antes: foi a mesma estratégia adotada por eles para esquartejar o Código Florestal. Mas espere aí, desse jeito essa conta não vai fechar nunca. Dois heróis contra uma cambada, quer dizer... uma bancada inteira de vilões?

“O prêmio da ONU deve servir para alertar o governo da presidente Dilma Rousseff de que, ao contrário da propaganda oficial de que tudo vai bem na área ambiental, temos uma imensa tarefa pela frente para proteger nossas florestas, seus povos ameaçados e a biodiversidade que elas contêm – e que eles ajudam a preservar. Afinal, se a floresta precisa de heróis é porque está correndo sério risco de vida”, afirmou Paulo Adario, que hoje cuida da estratégia de florestas do Greenpeace Internacional.

 

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