Protesto do Greenpeace em Caetité (BA), diante das Indústrias Nucleares do Brasil (INB). (©Greenpeace)

 

Devido a uma falha em uma operação em uma mina das Indústrias Nucleares do Brasil (INB), cerca de 100 kg de urânio vazaram em Caetité, a 445 km de Salvador, na Bahia, na manhã do dia 18 de outubro. O incidente ocorreu na área de embalagem de concentrado de urânio em pó por falha de equipamento mecânico.

Segundo a INB, todos os procedimentos adequados foram tomados e a área foi completamente limpa. Em nota oficial, a Indústria afirmou que “o projeto de instalação prevê este tipo de atividade e para isso todos equipamentos e pessoal são imediatamente acionados para resolver a questão.”

A polêmica sobre segurança nuclear começou desde que a única mina de produção de urânio no Brasil se instalou em Caetité, em 1997. Em outubro de 2008, o Greenpeace denunciou a contaminação da água de Caetité por urânio lançando o relatório Ciclo do Perigo - Impactos da Produção de Combustível Nuclear no Brasil. Foram oito meses de investigação, com a coleta de amostras de água na área de influência direta da mineração e beneficiamento de urânio realizada pela INB. Em 2011, cerca de duas mil pessoas impediram que nove caminhões carregados de urânio entrassem na mina em Caetité devido a falta de autorização oficial de transporte.

Investir na produção de energia nuclear continua sendo um erro. Além dos pergisosos acidentes registrados ao redor do mundo que podem contaminar milhares de pessoas, inclusive as que não estão próximas ao local dos eventuais vazamentos de material radioativo, a energia nuclear contribui para o aquecimento global. 

Sobre o incidente da semana passada, a INB afirma que o todo concentrado foi recuperado e que não sobraram traços do material no local.