Duas entidades beneficentes receberam placas solares e, com o dinheiro economizado na conta de luz, poderão ajudar mais quem precisa de cuidados

Foto: Daniel Kfouri/Greenpeace

 

Na mão marcada pelo tempo de uma vida, passado, presente e futuro se encontram. Na foto acima, um dos velhinhos da Casa Santa Gemma, que abriga moradores de rua em Uberlândia (MG), segura pela primeira vez uma célula fotovoltaica. A instituição foi uma das que recebeu sete placas solares com o apoio do Greenpeace Brasil. A outra foi o Abrigo Paulo de Tarso, em Nazaré, no interior da Bahia, onde foram instaladas mais 20 placas.

Este é o resultado inicial da campanha de financiamento coletivo que lançamos em março, “Traga o Sol a quem precisa”, para que as duas sedes de acolhimento pudessem se beneficiar da energia elétrica solar. “Com a participação de 608 pessoas, foi possível arrecadar cerca de R$ 40 mil, que ajudaram o projeto a se tornar realidade”, pontua Bárbara Rubim, da Campanha de Clima e Energia do Greenpeace.

A instalação das placas foi feita no final de outubro, na Casa Santa Gemma e, em meados de novembro, no Abrigo Paulo de Tarso, por uma empresa especializada contratada pelo Greenpeace.

A projeção é de que a redução no consumo de energia elétrica da concessionária local seja de 70% para a casa de atendimento aos moradores de rua mineira enquanto o abrigo para idosos baiano deverá cortar pela metade a sua conta de luz, graças às placas solares.

“Com a economia obtida na conta de luz, as duas entidades poderão tanto cobrir parte de suas despesas fixas, como medicamentos, como investir na ampliação dos seus sistemas fotovoltaicos no futuro, alcançando, assim, autonomia total na geração de energia elétrica. Nosso objetivo é continuar dando-lhes apoio neste processo até a sua conclusão”, conta Bárbara.

Menos risco no futuro

Mais que economizar recursos, ao instalar as placas solares as entidades beneficentes dão sua contribuição para amenizar os problemas socioambientais que poderão vir com o aquecimento global e suas consequências, como mostramos nesse estudo. Aliás, os mais vulneráveis também são os mais afetados.

Como a mudança do clima tem afetado bastante o regime de chuvas, o Brasil deve se preocupar seriamente em diversificar suas fontes de geração de energia elétrica para não ficar dependente apenas da água, pois os reservatórios têm registrados níveis baixos. E conforme as hidrelétricas reduzem sua produção por falta d’água, o Sistema Nacional Integrado (SNI) aciona as termelétricas movidas a gás natural ou óleo diesel, que emitem mais dióxido de carbono, agravando ainda mais o problema do clima.

Nesse contexto, o terceiro setor e a sociedade civil devem fazer a energia solar chegar de vez em todos os locais: nas casas das pessoas, nas escolas, nos prédios públicos, nas empresas, e não só por meio do financiamento coletivo. “É um trabalho importante a ser feito por todos: precisamos que o governo federal crie incentivos para se investir mais e mais em energias renováveis e limpas e termos um mercado que caminhe com suas próprias pernas”, diz Bárbara. Os velhinhos, e todos nós, apoiamos e agradecemos.

Greenpeace instala placas fotovoltaicas na entidade beneficente Casa Santa Gemma, em Uberlândia (MG). O sistema de placas contribuirá para a economia na conta de energia elétrica, possibilitando que os voluntários da entidade revertam mais verba para assistência dos moradores. Foto: Daniel Kfouri/Greenpeace