O desmatamento vem crescendo globalmente, e as coberturas florestais da Amazônia, do Sudeste Asiático e da África foram as mais afetadas (©Greenpeace/Daniel Beltra).

 

A Europa vem liderando os países industrializados na condução do desmatamento global. Isso é o que atesta um relatório independente divulgado hoje pela Comissão Europeia. Segundo o estudo, o consumo de bens europeu levou a uma perda de floresta de pelo menos nove milhões de hectares entre 1990 e 2008. Esse número representa uma área do tamanho da Irlanda.

As coberturas florestais da Amazônia, do Sudeste Asiático e da África foram as mais afetadas. As principais economias industrializadas, juntamente com a China, foram responsáveis ​​por cerca de um terço de todo o desmatamento ocorrido no mundo no mesmo período. A crescente demanda da Europa por carne, produtos derivados do leite, biomassa e biocombustíveis para energia, além de outros produtos que necessitam de grandes áreas de terra também colocaram uma grande pressão sobre os ecossistemas florestais em todo o mundo.

A análise detalhada do ano de 2004 mostrou que a União Europeia foi quem mais contribuiu para a destruição florestal por causa de importações, com pelo menos dez por cento do desmatamento mundial ligado ao seu consumo de mercadorias. Isso significa pelo menos o dobro do que contribuiu o leste asiático (China e Japão), e três vezes mais do que a América do Norte. As tendências globais sugerem que este número continuará a crescer nos próximos anos, principalmente por causa do aumento da demanda por alimentos para humanos e para a criação de animais, e por conta dos planos para aumentar o consumo de biocombustíveis.

"O mundo tem comido vastas áreas de florestas do planeta para alimentar um consumismo insaciável por carne, energia e madeira. O estudo mostra que a essa pegada florestal vai continuar a crescer. É hora de a Europa e outros países assumirem suas responsabilidades pela herança florestal do planeta, e adotarem políticas para zerar o desmatamento", afirmou Marcio Astrini, da campanha Amazônia do Greenpeace Brasil.

Enquanto o relatório mostra que regiões industrializadas têm uma responsabilidade significativa para o desmatamento global por conta da demanda crescente por bens de consumo, a maior parte do desmatamento é vista ocorrendo dentro dos países ou regiões onde as mercadorias são produzidas – e não consumidas. O relatório identifica dois principais vetores do desmatamento – o consumo de animais e as indústrias de rações animais e de óleo vegetal para a alimentação e combustível.

Há alguns anos o Greenpeace faz campanha para pressionar as empresas que comercializam esses produtos, como a Nestlé, a Cargill e a rede frigorífica JBS, a cortar o desmatamento de suas cadeias produtivas. Em maio de 2010, a gigante de alimentos Nestlé se comprometeu a retirar os produtos vinculados ao desmatamento de sua cadeia de fornecedores. Em 2009, a JBS firmou um compromisso de que não compraria mais gado de fazendas que tivessem ligação com desmatamento, invasão de áreas protegidas e trabalho escravo. Em fevereiro deste ano, a maior empresa de papel do mundo, a Ásia Pulp and Paper (APP), também concordou em adotar uma nova política de conservação florestal.

O desmatamento leva à perda de habitat e da biodiversidade. A destruição das florestas também libera milhões de toneladas de gases do efeito estufa, que contribuem para agravar as mudança climáticas a cada ano. De acordo com o Banco Mundial, centenas de milhões de pessoas ao redor do mundo dependem, direta ou indiretamente, das florestas para sua subsistência. Pensando nisso, em 2008, os ministros do meio ambiente da União Europeia comprometeram-se a prosseguir com o objectivo de anular a perda florestal até 2030, além de reduzir, pelo menos pela metade, o desmatamento em florestas tropicais até 2020.

“Precisamos implementar políticas que eliminem as commodities e produtos ligados ao desmatamento do mercado dos países industrializados. Além disso, os países desenvolvidos precisam apoiar os países em desenvolvimento no combate ao desmatamento em seus próprios territórios”, concluiu Astrini.

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