*por Raquel Carvalho, coordenadora da campanha da soja

Nem no Amazonas, maior e mais preservado Estado da Amazônia (97% de sua floresta ainda está em pé), a floresta está em paz. A fumaça sufoca as árvores, expondo uma realidade triste e que, mesmo persistente, ainda choca.

De Apuí, no sul do Estado, à Boca do Acre, a floresta intacta dá lugar aos grandes desmatamentos para pecuária, com focos de queimadas e cortinas densas de fumaça tomando conta da paisagem. Segundo dados divulgados este mês, o desmatamento residual no Amazonas aumentou 13%.

Diante dos olhos, jaz a imensidão da floresta em chamas. Estamos sobrevoando Lábrea, município que já faz parte da lista dos mais desmatados, onde conflitos envolvendo grileiros, madeireiros, indígenas e ribeirinhos já se tornaram rotina. A fronteira do desmatamento avança pelo sul do Amazonas e não poupa nem as áreas protegidas.

Sobrevoando a região, constatamos que a maior queimada acontecia exatamente dentro de uma unidade de conservação, a Floresta Nacional do Iquiri. Criada em 2008 para servir de “barreira verde” contra o desmatamento no entorno da BR-319, a Flona do Iquiri está hoje ameaçada a se tornar a versão amazônida do Jamanxim, outra Floresta Nacional criada no Pará para para servir de barreira contra o desmatamento na BR-163. Hoje a Flona do Jamanxim é a UC onde mais se desmata no Brasil.

Que a história de Jamanxin não se repita.