por Nicole Oliveira e Iran Magno, coordenadores de campanha do Greenpeace

Mais uma manhã de fevereiro em Brasília. Ainda cedinho, um grupo com cerca de 20 pessoas já estava unido em torno de um único objetivo: contribuir para a mudança rumo a um Brasil mais limpo e consciente de seu potencial ambiental, com a aprovação de uma Lei de Renováveis

Saindo de comboio na direção do Congresso Nacional, a idéia era fazer um protesto pacífico ao lado das cúpulas do edifício – símbolo da política do país, para o bem e para o mal. Poucos minutos antes da chegada ao local, o frio na barriga e a tensão misturavam-se à forte sensação de pertencimento a um grupo. Sabíamos que somente unidos nossa ação seria bem sucedida.

Nos dividimos em dois grupos e o primeiro entrou direto pelo lado do Senado (o da cúpula virada para baixo), com os ativistas abrindo faixas e passando a mensagem que estávamos em protesto pela aprovação de um projeto de lei sobre o uso de energias renováveis no país, parado na Câmara desde o final de 2009.

Com nossa mensagem declarada, foi dado o sinal para o segundo grupo: hora da ação. Em estado de atenção apurada e com altos níveis de adrenalina, começamos a nos articular para inflar uma torre eólica de 25 metros, no teto do Congresso, com a mensagem "Energia limpa. Voto no futuro". Enquanto o grupo inflava a torre, eu, Nicole, tinha como missão conversar com os seguranças, explicando o que fazíamos lá e o porquê. Ganhar tempo para o grupo inflar a torre era essencial.

Atrás da cúpula, longe da visão dos seguranças, depois de cinco longos minutos já tínhamos a torre quase totalmente inflada e várias pessoas torcendo e fazendo esforço para colocá-la de pé, nossa própria teoria foi confirmada: o Brasil tem mesmo abundância de vento. Foi uma luta colocá-la de pé.

Protesto do Greenpeace Greenpeace/Felipe Barra
Nicole (3ª da esq. para dir.) durante o protesto no Congresso. ©Rodrigo Baleia/Greenpeace

Ouvi no rádio: eles estão vindo na nossa direção. Corri em direção ao segurança, estendi minha mão em sinal de paz. Para minha surpresa, ele também a estendeu e enquanto explicava que estávamos lá por um bem maior, por uma sociedade de baixo carbono, ele reclamava que entramos em território de segurança nacional. Durante todo o tempo seguramos a mão um do outro, e quase como em uma valsa, consegui atrasá-lo um pouco mais.  

Com a torre quase totalmente inflada, fomos interceptados pelo reforço solicitado pelo meu par de dança. Derrubaram nossa torre no chão, mas não nosso manifesto. Ficamos cerca de duas horas sentados em frente à cúpula unidos como uma corrente humana enquanto nossa equipe em terra protocolava na Câmara dos Deputados o nosso relatório Revolução Energética, mostrando a importância e o potencial do Brasil contar com fontes renováveis em sua matriz.

Com o documento protocolado e a mensagem passada, deixamos o lugar pacificamente enquanto uma chuva, que não deu as caras durante todo o protesto, derramava suas primeiras gotas.