Dez ativistas do Greenpeace - entre eles, um brasileiro - acabam de lançar uma ação contra a extração de betume no Canadá. Eles bloquearam uma esteira que carrega o material da mina, de um lado do Rio Athabasca, para um processador localizado na outra margem.

Confira a ação ao vivo:

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A extração de betume no norte do Canadá é hoje um dos maiores horrores ambientais em curso na Terra. O betume é uma fonte de petróleo, que fica enterrado sob a floresta boreal. Os depósitos se espalham por 138 mil quilômetros quadrados (área equivalente à Flórida) e incluem 4,3 milhões de hectares de floresta boreal.

Até recentemente, era muito caro e complicado extrair o betume para produzir petróleo, mas nos últimos anos, com a subida do preço do barril e com o avanço tecnológico, o trabalho se tornou viável e lucrativo. Agora, as empresas que trabalham com isso produzem mais de 1 milhão de barris de petróleo por dia a partir do betume, e o volume aumenta consistentemente.

O crescimento rápido desse setor tem um custo ambiental embutido altíssimo, com danos à terra, ao ar, à água, às florestas e ao clima. A indústria do betume é o maior emissor individual de gases-estufa no Canadá: são 40 milhões de toneladas de CO2 por ano, com o desmatamento de milhares de hectares de floresta boreal.

Em 2011, o setor deve emitir 80 milhões de toneladas de CO2 - e isso levando em consideração apenas a emissão envolvida na produção, não a gerada pela queima do petróleo como combustível.

Enquanto o mundo deveria buscar alternativas para combater as mudanças climáticas, o Canadá com a exploração de betume e o Brasil, com o pré-sal, vão em direção oposta. A exploração desses recursos aumenta a emissão de CO2 e provoca impactos ambientais gigantescos.  Manter essa extração é um crime de proporção planetária.