Em campanha lançada em abril, Greenpeace cobra pressa na aprovação de um Plano de Mobilidade para São Paulo (©Otávio Almeida/Greenpeace)

Depois de suspender o aumento das tarifas de ônibus na cidade de São Paulo, o prefeito Fernando Haddad (PT) tomou outra medida na direção de um sistema de transporte público mais acessível, eficiente e sustentável. Agora é ver se as promessas são para valer ou se são apenas medidas populistas.

Hoje, a prefeitura paulistana suspendeu a licitação do novo sistema de transportes na cidade. Com um valor estimado de R$ 46,3 bilhões, o mais alto que São Paulo já teve, os novos contratos teriam validade de 15 anos. Haddad, agora, quer ouvir as propostas da população antes de assumir esse compromisso.

Também anunciou que pretende atingir a meta de 220 quilômetros de faixas exclusivas para ônibus na cidade ate 2013, contra os 150 quilômetros prometidos anteriormente para 2016.

A última medida anunciada foi a reativação de um Conselho Municipal de Transporte, criado em 1967, mas que não o funciona há sete anos. Um novo grupo será formado por membros da sociedade civil, incluindo empresários de ônibus, usuários, Ministério Público e ONGs.

As iniciativas são promissoras, mas é claro que a complexidade do problema de mobilidade urbana em uma cidade que, por décadas, priorizou o automóvel exige soluções integradas de curto, médio e longo prazos. São Paulo precisa ter muito claro quais são os rumos a seguir e isso só será resolvido por um documento que oriente a evolução do transporte e da mobilidade.

Isso tem nome. E prazo para ser concluído. Todas as cidades brasileiras com mais de 20 mil habitantes precisam aprovar um Plano de Mobilidade Urbana até 2015. O prazo é curto frente ao desafio. Enquanto isso, antes das manifestações, a Secretaria de Transportes Municipal de São Paulo indicou que começaria os trabalhos de formulação apenas no ano que vem. Quem sabe agora a prefeitura entende que não dá para empurrar a discussão com a barriga.

Um sistema público de transporte eficiente e sustentável significa também reduzir as emissões de gases-estufa de uma das maiores cidades do mundo. Para se ter uma ideia, dados de 2006 mostram que os automóveis representavam 39% das emissões nacionais de CO2 equivalentes do setor de transportes. Já os ônibus contribuíam com 7% das emissões.

Clique aqui e acompanhe a campanha do Greenpeace pela formulação de planos de mobilidade: www.greenpeace.org.br/cade.