Paul McCartney durante o tour Up and Coming (©MJ Kim)

1968 foi um ano e tanto. As pessoas estavam nas ruas, a revolução pairava no ar, os Beatles lançaram o White Album e talvez uma das fotos mais importantes até hoje foi tirada pelo astronauta William Anders.

Era véspera de Natal e Anders e o comandante de sua missão, Frank Borman, eram os únicos seres humanos desde tempos primordiais a orbitarem a Lua. Pela pequena janela da nave Apollo 8 avistaram algo que ninguém tinha visto antes, algo tão familiar e ao mesmo tempo tão estranho, algo de tirar o fôlego por sua beleza e fragilidade.

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“Meu Deus”, Borman gritou. “Olha aquilo ali, a Terra está surgindo. Uau, é incrível”.

“Você tem um filme colorido, Jim?”, Anders perguntou. “Me dê aquele rolo de filme colorido, rápido, por favor”.  Por um minuto ou pouco mais, dois seres humanos em uma lata, a aproximadamente 400 mil quilômetros de casa, procuraram desesperadamente um rolo de Kodak para colocar em sua câmera. Então, Anders se apoiou na janela, tirou uma foto e capturou a imagem do nosso delicado planeta. O nascer da terra. Aquela imagem única teve um impacto tão grande na psique humana que ficou conhecida como o início do movimento ambientalista – mudando a forma como nós pensamos sobre nós mesmos.

O nascimento da Terra fotografado por William Anders, em 1968, diretamente do Apollo 8

  Isso foi há mais de quarenta anos, um piscar de olhos na enorme vastidão do tempo, mas algo notável aconteceu desde então. Por pelo menos 800 mil anos, o oceano Ártico tem sido coberto por uma folha de gelo marinho do tamanho de um continente. Mas nas décadas posteriores à essa imagem, satélites têm medido o derretimento constante desta camada branca. Muito dela já desapareceu e parece que a geração dos meus filhos presenciará um mar aberto no Polo Norte. Talvez eu mesmo presencie esse momento.

Pense a respeito disso. Desde que a foto do nascimento da Terra foi tirada nós estivemos tão ocupados aumentando a temperatura do mundo que agora ele está radicalmente diferente do que ele era visto do espaço. Ao cavar a terra em busca de combustíveis fósseis e ao queimar as nossas antigas florestas, jogamos tanto carbono na atmosfera que, hoje, os astronautas enxergam um mundo completamente diferente. E tem algo que simplesmente me deixa perplexo.

Enquanto o gelo derrete, as grandes companhias de petróleo estão se mexendo em direção ao Polo Norte. Ao invés de enxergar o derretimento do gelo como um grave alerta para a humanidade, eles estão de olho no petróleo inacessível que está embaixo do mar no topo do mundo. Elas estão explorando o desaparecimento do gelo para poder perfurar o solo e encontrar o mesmo combustível que, em primeiro lugar, causou o derretimento do gelo.

Combustíveis fósseis estão presentes em todos os cantos do nosso planeta, mas em algum momento em algum lugar nós vamos ter que dizer “Chega”. Eu acredito que este momento é agora e que este lugar é o Ártico.

É por isso que eu me juntei ao Greenpeace e à campanha para criar um santuário protegido legalmente ao redor do Polo Norte e proibir a extração de petróleo e a pesca industrial nas águas do Ártico. O meu nome estará entre os pelo menos dois milhões que o Greenpeace coletou e vai levar para o polo e plantar no fundo do mar, 4 km abaixo do gelo. Nós estamos chegando juntos para garantir a proteção do Ártico para toda a vida na Terra.

Em apenas um mês, mais de um milhão de pessoas já assinou em www.savethearctic.org, no entanto, se você não está entre eles ainda há chances de você garantir que seu nome seja colocado no fundo do oceano no topo do mundo junto com o meu nome.Assine a petição no site e divulgue, ajudando na criação do santuário que protegerá o Ártico.