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Rios virando asfalto, morro virando moradia, floresta virando pasto. Num ritmo alucinante, esse é o caminho que o Brasil vem seguindo décadas a fio. O equilíbrio se foi. E as mudanças climáticas já batem à porta. Muita gente ainda ignora, mas é fato que alguma coisa está fora da ordem mundial. Enquanto cidades ficam debaixo d’água, os rios secam. Os alimentos são envenedados por toneladas de agrotóxicos e o ar está mais poluído do que nunca.

Para dar uma pequena medida da bagunça, o jornal Estado de S. Paulo criou o site “Isso não é normal”. Pegou uma cidade – São Paulo –, um estado – Santa Catarina – e uma região – Nordeste – para mostrar o que anda de errado por ali. O raio-x paulistano e catarinense já estão no ar, e o nordestino será publicado em agosto.

Inúmeros vídeos, reportagens, entrevistas e mapas interativos trazem informações que estão a olho nu, mas que são constantemente ignoradas. Os habitantes de Sampa, por exemplo, perdem, em média, um ano e meio de vida por causa do ar sujo que respiram. E é o próprio poder público quem dá o pontapé na desordem: a Câmara dos Vereadores, por exemplo, foi construída bem em cima do Rio Bexiga.

Local onde foi registrado o primeiro furacão do Brasil, Santa Catarina também padece com eventos climáticos extremos. Enquanto o mar ensaia seu avanço pelo litoral, no interior, a seca já dá sinais de chegada. O estado é o quinto maior produtor de alimentos do país, mas a própria agricultura já sofre com estiagem, alagamentos e tornados. Como resposta a isso, Santa Catarina, em vez de baixar a cabeça para as leis ambientais, resolveu afrouxá-la ainda mais.

Em tempos de PACs, petróleo e desmatamento, as anomalias devem continuar sem hora para acabar. Você já parou para pensar nisso?