Sem desmatamento, sem lágrimas para a família dos orangotangos.

 

É frustrante pensar na relação entre a destruição das florestas e um inocente shampoo amarelo, que miraculosamente possibilita que os pais lavem o cabelo de seus lindos filhos sem que a espuma cause irritação aos seus olhos. Enquanto bebês humanos se esbaldam em suas banheiras lotadas de espumas, bebês orangotangos choram com a perda de sua floresta e de seus familiares. 

Mas essa situação está próxima de acabar.

Após meses de negociação, nesta terça-feira a Johnson & Johnson anunciou publicamente que vai se comprometer a eliminar o desmatamento da cadeia de produção do óleo de palma usado em seus produtos. Ponto para as florestas da Indonésia.

Por enquanto, a notícia é positiva e nos deixa um passo mais perto de estancar a devastação das matas, porém isso não garante que as comunidades e a biodiversidade não sofram mais.

Para acabar com o desmatamento e os problemas sociais relacionados com a extração do óleo de palma é necessária a implementação de políticas de “não desmatamento” como as que se comprometeram nos últimos meses marcas como a Johnson & Johnson, a Procter & Gamble, Colgate-Palmolive, L’oreal e Unilever.

A implementação dessas políticas exigem muito trabalho. As companhias precisam desenvolver um sistema para saber onde seus fornecedores estão produzindo óleo de palma, além de monitorar a ocorrência de desmatamento, conflitos sociais, incêndios e outros problemas nessas áreas.

Nós do Greenpeace acreditamos que se trabalharmos juntos para criar a mudança, baseado na alta tecnologia e nas evidências apresentadas, conseguiremos dar um fim nisso. E é o que estamos fazendo. Investigamos empresas que estavam envolvidas com o desmatamento e denunciamos as empresas que estão produzindo óleo de palma provocando desmatamento e conflitos sociais.

Após o pronunciamento da J&J, a empresa Pepsico é a única que ainda não se pronunciou sobre as denúncias de desmatamento. Todas as outras companhias que foram denunciadas pelo Grerenpeace já aderiram à campanha.

Eu sei que a campanha pode trazer algumas lágrimas para aqueles que tentam lucrar com a destruição do habitat dos tigres e dos orangotangos, mas vai passar. Se eles querem continuar com seu negócio, vão ter de seguir os passos de empresas como a GAR, a Wilmar e dos membros do “Palm Oil Innovation Group” que estão trabalhando para acabar com o desmatamento.

Continuaremos com os olhos abertos e trabalhando para acabar com o desmatamento e os conflitos sociais causados pela indústria de óleo de palma. Quando isso acabar, os bebês de todas as espécies ficarão mais felizes.

*João Talocchi é membro do Greenpeace e trabalha pela proteção das florestas na Indonésia