Usina de biomassa em Itacoatiara, no Amazonas. Estima-se que o Brasil poderia produzir mais de 10 mil MW de bioeletricidade proveniente da queima de bagaço e palha de cana de açúcar (©Rogério Reis/Thyba)

 

O governo federal atendeu a uma antiga reivindicação do Rio Grande do Sul e autorizou a inclusão do carvão mineral nos leilões de compra de energia. Se é uma boa notícia para o Estado que possui 90% das reservas de carvão mineral do país, ela não é tão positiva para o meio ambiente.

Uma das fontes mais poluentes, o carvão apresenta outros impactos além das elevadas emissões de gases estufa, responsáveis pelas mudanças climáticas: a mineração também afeta o solo e a água das regiões próximas de onde o carvão é extraído.

As térmicas movidas a carvão não podiam participar dos leilões desde 2009 e, agora, já devem aparecer no segundo semestre. “Ao invés de incluir o carvão nos leilões, o governo deveria considerar o desenvolvimento das fontes renováveis e garantir o espaço para biomassa, por exemplo, ou garantir que as isenções fiscais concedidas à energia eólica também sejam aplicadas às usinas de cogeração a biomassa”, afirmou Ricardo Baitelo, coordenador da Campanha Clima e Energia do Greenpeace Brasil.

E como se não bastasse o carvão não ser a escolha mais adequada para um país que possui um imenso potencial de energias renováveis ainda não aproveitado, o teor energético do carvão nacional é inferior ao de outros países. O Brasil acaba importando carvão, o que torna essa opção ainda mais desfavorável.

“Acreditamos que é importante ter uma parcela de termelétricas na matriz energética brasileira, mas estas devem ser a gás natural que apresentam emissões até 70% menores do que o carvão”, disse Baitelo.