Imagem da plataforma em Março de 2008. Copyright: National Snow and Ice Data Center, Boulder, CO

Enquanto em Bonn (Alemanha), governantes de todo mundo batiam cabeça e não fechavam um acordo sobre as metas de redução dos gases-estufa para serão incluídas no documento que sucederá o Protocolo de Kyoto em 2012; na Antártida, a gigantesca ponte de gelo Wilkins, oito vezes o tamanho de São Paulo, se esfacelava em centenas de icebergues menores. Era o planeta dando o seu recado: não há mais tempo a perder.

A ponte de 40 quilômetros de extensão por 2,5 quilômetros de largura, juntamente com outras estruturas de gelo, também em colapso, formam um tipo de barreira para as geleiras continentais que quando desgelarem poderão provocar a elevação do nível dos oceanos. “O que mais assusta é a velocidade com que os degelos estão ocorrendo. Pensávamos que o que está acontecendo agora só aconteceria em 50 ou 100 anos”, afirma o glaciologista Jefferson Simões, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul.

O derretimento da ponte é um importe indicador da rapidez e severidade com que a crise climática está se desenvolvendo e deveria servir como um grave alerta para a necessidade de ações urgentes e concretas contra o aquecimento global. O documento que sucederá o Protocolo de Kyoto deverá ser finalizado em dezembro, em Copenhagen (Dinamarca). Ao longo desta ano, além da reunião que termina amanhã em Bonn, haverá outros dois encontros de negociação para elaboração do acordo de Copenhagen.

“Entretanto, o que se vê pelas negociações de Bonn é a total falta de vontade política e de recursos. O clima está mudando e os nossos governos ainda se deram conta que chegar ao fim da reunião de Bonn sem um acordo é inaceitável porque as maiores conseqüência vão atingir o cidadão comum, particularmente dos países em desenvolvimento. É fundamental que se cobre uma mudança imediata do rumo das negociações”, afirma Marcelo Furtado, diretor executivo do Greenpeace no Brasil.

O Greenpeace está presente na reunião de Bonn. A organização pressiona os países industrializados para que assumam o compromisso de cortar 40% das emissões até 2020 e apoiar medidas concretas para o desenvolvimento de uma economia sem carbono nos países em desenvolvimento.