Em Brasília para a 15a Conferência Internacional Anti-corrupção, o diretor-executivo do Greenpeace Internacional, Kumi Naidoo, cobrou ambição e urgência do governo brasileiro (©Greenpeace).

 

“Estamos muito longe de alcançar o que precisamos”, sentenciou mais uma vez Kumi Naidoo. O diretor-executivo do Greenpeace Internacional esteve presente à 15a Conferência Internacional Anti-corrupção, realizada em Brasília. Em mesa que contou com a presença da ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, Kumi explicou porquê considerou a Rio+20 um “fracasso épico”, ressaltando a falta de ambição do documento final produzido pelo Brasil.

Enquanto a ministra considerava que a Rio+20 foi “um marco, a maior conferência das Nações Unidas sobre o desenvolvimento sustentável”, Kumi criticava a postura da presidente Dilma Rousseff, reforçando que a população brasileira é carente de esforços por parte do governo no que concerne às questões ambientais.

“Antes de avaliarmos a Rio+20 devemos pensar no que realmente alcançamos desde a Eco-92. Mas veremos um nível extremamente baixo de cumprimento de metas e, na verdade, um grande retrocesso em muitos dos temas mais críticos. Queremos que haja uma sinergia entre economia, ecologia e igualdade, e que um pilar não se sobreponha ao outro. Mas quando lemos o documento da Rio+20 não vemos nenhuma especificidade, nenhuma urgência.  Não quer dizer que não houve nenhum ponto positivo, mas não foi suficiente”, disse ele.

Em contrapartida, mas de certa forma concordando com o argumento de que foi produzido um documento fraco, Izabella Teixeira afirmou que o resultado da Rio+20 foi “de linha de base, e não de topo de cadeia”.

Respondendo à ministra, Kumi ressaltou que, assim como no debate do Código Florestal, houve um hiato entre a posição do governo e a de seus eleitores. “Nós sabemos que a presidente Dilma tentou não deixar o Código Florestal tão ruim quanto estava, mas eu acredito que, quando o movimento da sociedade civil propõe uma lei, como a do Desmatamento Zero, que já possui mais de 600 mil assinaturas, é dever do Congresso Nacional debater e ao governo como um todo prestar mais atenção à questão.”

Também presente na mesa, Manish Bapna, presidente da organização World Resources Institute, frisou a importância de investimentos em tecnologia. “Tecnologia é transparência. Nós que trabalhamos com meio ambiente sabemos que esse é um fator muito importante para nos aperfeiçoarmos e melhorarmos o que fizemos no passado, para lutar contra o corte de madeira ilegal, contra as invasões de áreas protegidas, etc. Além disso, governança também está na base do problema”, completou.

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