Comunitários conversam com representantes da empresa que iniciou as obras da rede de transmissão na Resex. Foto: Arquivo CDS

Na Reserva Extrativista (Resex) Verde para Sempre, no Pará, não chegou energia elétrica. Tampouco chegaram velhas demandas da comunidade, como fomento às atividades produtivas, assistência técnica, acesso à tecnologia etc. Mas num piscar de olhos, o governo mandou para o local uma bateria de máquinas, caminhões e retroescavadeiras. Tudo para as obras de implantação das torres de transmissão de energia elétrica – que vão atender outras cidades do país, não a reserva.

Às 6h da manhã da última terça-feira, lideranças de 20 comunidades da Resex protestaram e paralisaram as obras. A argumentação não poderia ser mais justa: enquanto as reinvindicações dos comunitários ficam anos paradas na gaveta do governo, as autoridades atendem de prontidão a outras demandas – que, nesse caso, passam literalmente por cima da unidade de conservação, e sem o aval dos moradores.

“Esse tipo de operação não estava previsto no plano de operação licenciado pelos órgãos ambientais”, diz uma nota divulgada pelo Comitê de Desenvolvimento Sustentável de Porto de Moz, município onde está localizada a Resex. Segundo o comitê, a manifestação só vai terminar quando o governo atender a antigas reivindicações das comunidades, como fomento às atividades produtivas, acesso a tecnologias aplicadas à produção familiar e implantação de sistemas de energia elétrica nas comunidades.

Em abril deste ano, quando o Greenpeace atracou na região a bordo do navio Rainbow Warrior, 31 barcos de comunitários se uniram para fazer uma “assembleia”, denunciar as ameaças que vêm sofrendo e pedir ao governo federal apoio efetivo para que a reserva seja, de fato, implementada. As reclamações sobre a morosidade e ausência do governo foram recorrentes. Prova disso foi a denúncia que fizemos há um mês, quando balsas carregadas de madeira passavam por dentro da unidade.

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