Extração de madeira ilegal é interceptada na Reserva Extrativista Verde para Sempre (©Greenpeace/Karla Gachet).

 

O roubo de madeira na Reserva Extrativista Verde para Sempre ainda perdura, mas depois de uma série de denúncias, a fiscalização tem atuado de forma implacável desde outubro de 2012. Nesta sexta-feira, uma apreensão de peso foi realizada pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade: 34 mil m³ de madeira em tora que saíam da Reserva foram detidos. O material estava sendo transportado em três balsas sem a documentação de origem necessária.

Ciente de que a unidade de conservação de uso sustentável é um dos pontos de extração ilegal de madeira, o ICMBio tem vistoriado todas as balsas que navegam pelo Jaruaçu, no trecho em que o rio atravessa a Resex. De acordo com o órgão, as maiores áreas de exploração madeireira estão localizadas fora dos limites das unidade, na região sul, mas o transporte acontece por dentro da reserva.

A madeira apreendida foi doada à Prefeitura de Porto de Moz, que assumiu o compromisso de utilizar o material na construção de benfeitorias para as comunidades ribeirinhas. Além da madeira, foram apreendidos também mais de duas toneladas de pescado e apetrechos de pesca.

Segundo o instituto, os infratores alegam que a madeira foi extraída da área de manejo florestal sustentável da Resex. Nas cidades grandes, o destino da madeira ilegal é a indústria de móveis e construção civil, além de seguir para exportação internacional.

Antigos problemas

Localizada no município de Porto de Moz, no Pará, a Verde para Sempre sofre com extração ilegal de madeira há anos. Criada em 2004, com apoio do Greenpeace, a Resex saiu do papel depois de muito enfrentamento entre as comunidades locais e madeireiros da região. Hoje, ela é uma das maiores unidades de uso sustentável da Amazônia, ocupando uma área de 1,3 milhão de hectares e habitada por cerca de 2,2 mil famílias.

Em abril de 2012, o Greenpeace levou o navio Rainbow Warrior à região, e aproveitou para realizar uma assembleia com os comunitários. Trinta e um barcos se uniram para denunciar as ameaças que vêm sofrendo e pedir ao governo federal que leve adiante a regularização fundiária da reserva.

Outra reunião em outubro de 2012 reuniu os comunitários da Resex, representantes do Greenpeace e do ICMBio. Na ocasião, o órgão se comprometeu a apressar os planos de manejo florestais já aprovados para algumas comunidades do interior da unidade, mas que ainda não foram postos em prática.

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