A P&G continua ignorando os cerca de 400 mil consumidores que enviaram mensagens para o presidente da companhia, Sr. Alan G. Lafley. E pior, segue alegando que é “comprometida com a produção sustentável do óleo de palma”.

Mas hoje fizemos algo que eles não podem simplesmente ignorar. Levamos nossa mensagem para a porta da P&G. A empresa dona de marcas como Head & Shoulders foi confrontada hoje com protestos realizados em cinco diferentes países e novas evidências que escancaram o tamanho do precipício entre palavras e comunicados oficiais da empresa e a situação real da companhia e de seus fornecedores.

Clique aqui para conferir o relatório com as novas evidências (em inglês).

(© Ardiles Rante / Greenpeace)

 

Na Indonésia 20 ativistas abriram um banner gigante do teto do escritório da P&G em Jacarta e outros ensaiaram uma performance com muita cor e explicações sobre a situação nas ruas da capital, para exigir produtos sem óleo de palma proveniente de desmatamento. Os diretores da companhia se recusaram a receber o Greenpeace.

(© Jimmy Domingo / Greenpeace)

Nas Filipinas, ativistas vestidos de tigres armaram um acampamento nos arredores de uma das instalações da P&G no sul de Manila. Eles arrumaram o local com tendas e tocos de árvores para mostrar que a P&G não tem condições de garantir que não está colaborando ativamente com a destruição do habitat natural de animais raros como os tigres-de-sumatra e outros.

Na Índia um tapete vermelho batizado de “caminho da vergonha” foi desenrolado em frente aos estúdios Wella em Nova Déli, enquanto tigres explicavam para os transeuntes o que acontecia e de que forma a P&G (que também é dona dos shampoos Wella) está contribuindo com a destruição de florestas tropicais.

(© Nick Hannes / Greenpeace)

 

Na Bélgica, ativistas do Greenpeace tentaram abordar colaboradores do Centro de Inovação da companhia em Bruxelas. Novamente, a diretoria se recusou a nos receber.

E em Manchester, no Reino Unido, cinco ativistas foram expulsos de uma conferência europeia sobre produtos de limpeza (acredite, existe uma conferência para isso) por questionar a palavra sustentabilidade impressa nos crachás de participantes da P&G no evento.

Eles também presentearam com o “Machado de ouro” a diretora de sustentabilidade da empresa, que, surpreendente e graciosamente aceitou a homenagem.

Mas depois disso tudo, a pergunta que fica é: até quando a P&G vai insistir no discurso velho e desgastado de que está comprometida com a “sustentabilidade” – qualquer que seja o significado desta palavra para eles?

As evidências estão se acumulando e tomando corpo a cada dia. Não temos somente estudos de casos mostrando a destruição de habitat natural de orangotangos, por exemplo, mas lançamos hoje provas contundentes que documentam desmatamento de florestas primárias em larga escala dentro de uma concessão em Papua, na indonésia.

Essa concessão é controlada pelo conglomerado RGE, grupo que trabalha com a Asian Agri no cultivo do óleo de palma. A Asian Agri, por sua vez, vende o óleo para a Cargill, que é um conhecido fornecedor da P&G.

Mudas novas plantadas para cultivo de óleo de palma entre tocos de árvores derrubadas, área desmatada recentemente dentro de concessão na região de Papua, na Indonésia (© Oscar Siagian / Greenpeace).

 

Papua é considerada a nova frente de expansão do óleo de palma na Indonésia. É uma vasta ilha com extensas áreas de florestas intactas e casa de animais raros e de beleza única como o pássaro do paraíso e tantos outros.

Mas a não ser que empresas como a P&G se comprometam com uma política realista e progressiva de combate ao desmatamento, isso tudo está em risco. O grupo RGE possui uma história de destruição – também são donos da Abril, gigante do setor de papel e celulose que, sozinha, destrói mais florestas na Indonésia do que qualquer outra empresa.

As práticas da RGE em regiões de alto risco como Riau, em Sumatra, por exemplo, estão ligadas ao desmatamento ilegal de florestas fazendo uso de artimanhas criminosas como queimadas intencionais. No parque nacional Tesso Nilo, o grupo negocia óleo de palma em plantações ilegais e financia a extinção dos tigres-de-sumatra ao reduzir dramaticamente o habitat natural da espécie. 

A P&G já se omitiu por muito tempo.

Mas você ainda pode ser parte da mudança que fará com que companhias como a P&G passem a proteger as últimas florestas da Indonésia, ao invés de destruí-las. Se você ainda não aderiu, faça como os 400 mil que já tomaram uma atitude aqui. E fique ligado nos próximos passos da campanha.

* Areeba Hamid é da campanha de florestas do Greenpeace Internacional.