Mobilidade urbana: é preciso criar alternativas. (© Will Rose/Greenpeace)

 

A cidade de Santos anunciou recentemente a retirada da ciclovia localizada no canteiro central da praia de José Menino, desativada desde fevereiro. Com 500 metros de extensão, a ciclovia é vista como uma das principais causas do intenso congestionamento na região e, assim sendo, acredita-se que sua retirada beneficiará o fluxo de automóveis. Será?

De fato, a abertura de mais espaço para os veículos pode levar a uma melhora do trânsito local, mas por quanto tempo? A melhora no fluxo, aliada à falta de outras opções de deslocamento, incentiva mais pessoas a usarem o carro diariamente, e, por sua vez, a ida de mais carros para a rua lota as vias, gerando congestionamentos e a necessidade de expandir ainda mais as ruas. Só que na próxima vez em que for preciso realizar essa expansão, não haverá mais ciclovia. Se a lógica seguir a mesma, o próximo passo será partir para os imóveis que margeiam as ruas.

A medida gera estranheza quando lembramos que há pouco mais de um ano foi estabelecida a Política Nacional de Mobilidade Urbana, cujo objetivo principal é fazer com que as cidades repensem a forma como tem se dado os deslocamentos em seu território e planejem uma mobilidade urbana mais limpa, rápida, eficiente e universal.

A Política não diz como isso vai ocorrer, mas dá dicas: diversificando as opções de transporte, priorizando os meios não motorizados e coletivos ao individual, ouvindo a população e, se for preciso, estabelecendo medidas que efetivamente desestimulem o uso do carro.

Por trás disso tudo há a clara mensagem de que o modelo de mobilidade que alimentamos por muitos anos é insustentável: o carro não é mais a solução dos nossos problemas e as medidas tomadas no sentido de perpetuar esse modelo estão fadadas ao fracasso.

Em meio a um ano em que o tema mobilidade urbana tem ganhado cada vez mais destaque e muito tem se ouvido, do governo e da população, sobre a necessidade de se construir cidades para pessoas e não para carros, escolhas como a da cidade de Santos deixam um amargo quê de retrocesso e a sensação de que, se nada for feito, corremos o risco de ter mais do mesmo. Só que, quando o assunto é mobilidade urbana, a gente já sabe que isso não funciona. É preciso diversificar.

*Barbara Rubim é da Campanha de Clima e Energia do Greenpeace Brasil