Os planos do governo para a agricultura e pecuária não poderiam ser mais generosos. Esta semana, Lula anunciou, junto com o Plano Safra 2010/2011, que o setor vai receber o maior financiamento já visto no país. Serão nada menos que R$ 116 bilhões, direto dos cofres do governo para a caixinha do agronegócio. Desse total, só R$ 16 bilhões vão para a agricultura familiar.
Nos últimos quarenta anos, 17% da Amazônia foram derrubados para dar lugar, principalmente, a gado e soja. E a produção continua avançando sobre áreas de floresta. O imenso volume de emissões que a devastação das matas jogou para os céus deu ao Brasil o quarto lugar entre os maiores inimigos do planeta.
O presidente sabe disso. Assumiu compromissos de redução na COP-15 e saiu bem nas fotos lá fora. Mas por aqui, pouco tem feito para mudar o velho modelo de produção agropecuária. Da chuva de R$ 116 bilhões que vai cair sobre as fazendas, não mais que R$ 2 bilhões vai para financiar práticas na lavoura que reduzam as emissões preservando floresta.