Dom Pedro Casaldáliga teve de se retirar de sua casa em São Félix do Araguaia por causa das ameaças de morte que tem recebido por defender a desintrusão da terra dos Xavante (Divulgação - Ana Helena Tavares)

 

Dom Erwin Kräutler, bispo prelado de São Félix do Xingu, vive sob escolta policial devido às ameaças que recebe há seis anos. O motivo? Ele incomoda poderosos por ter optado defender os mais desvalidos, principalmente os povos indígenas e os ribeirinhos afetados pela construção da usina hidrelétrica de Belo Monte. Supreendentemente, mais um bispo entrou na lista dos ameaçados: há duas semanas o Brasil teve conhecimento que Dom Pedro Casaldáliga, da Prelazia de São Félix do Araguaia, também está na mira de pistoleiros.

A situação de Dom Pedro agravou-se recentemente quando teve início o processo de retirada dos posseiros e fazendeiros de Marãiwatsèdè, terra original pertencente ao povo Xavante, situada no nordeste do Mato Grosso. No início de dezembro, ele teve de ser escoltado pela Polícia Federal de sua casa até o aeroporto e seu paredeiro não foi revelado pela CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil).

Entretanto, a luta deste bispo catalão de 84 anos foi reconhecida nesta segunda-feira (17) pela Secretaria Especial de Direitos Humanos da Presidência da República, que lhe outorgou o 18º Prêmio Direitos Humanos. Porém, Dom Pedro não pôde ir à solenidade no Palácio do Itamaraty, em Brasília, receber a honraria.

Danicley de Aguiar, da Campanha da Amazônia do Greenpeace, destaca o paradoxo dos acontecimentos já que o Estado brasileiro é incapaz de investigar e prender os que estão ameaçando Dom Pedro e Dom Erwin. Mas não são somente eles que estão correndo risco de vida. O que salta aos olhos são os dados da CPT (Comissão Pastoral da Terra), os quais apontam que entre 2010 e 2011 houve um aumento de 177% no número de pessoas sob ameaça, passando de 125 para 347.

Deve-se pontuar que essa prática de remover os ameaçados já vem sendo contestada há muito pelos movimentos sociais brasileiros, pois se prende a vítima e os bandidos ficam soltos. “Quantos inquéritos foram abertos para apurar as ameaças sofridas pelos ativistas de direitos humanos no Brasil? Quantos foram concluídos? Estas são perguntas que colocam em xeque a estratégia de intervenção do governo nesse contexto de completo desrespeito ao estado democrático de direito”, observa Aguiar.

Em respeito à luta de Dom Pedro Casaldáliga, o Greenpeace assina a Nota de Solidariedade ao bispo proposta pelo Cimi (Conselho Indigenista Missionário) e pela CPT (Comissão Pastoral da Terra). Nela, as entidades denunciam as mazelas do processo de desintrusão da Terra Indígena Marãiwatsèdè e mostram as contradições daqueles que mentem para tentar se eximir de responsabilidade no cenário de violência que se encontram os indígenas da região.

Assine a petição.