Em janeiro deste ano, ativistas do Greenpeace já haviam começado a documentar valiosas árvores com mais de 140 anos idade na Bavaria, Alemanha. (©Andreas Varnhorn/Greenpeace)

 

Ativistas do Greenpeace estão em Spessart, sudoeste da Alemanha, com equipamentos de GPS para mapear árvores que tenham mais de 50 centímetros de diâmetro e produzir mapas digitais, permitindo que todos tenham acesso às informações sobre as florestas do país. Entre eles, está Adriano Augusto, do Greenpeace Brasil, que além de proteger as florestas brasileiras foi até a Alemanha para ajudar o grupo e buscar experiências que possa utilizar no Brasil. 

Em 2010, para obter informações mais claras sobre o tamanho e a localização das áreas de floresta de faia europeia na Alemanha, o Greenpeace pediu para que os governos das províncias tornassem públicas as informações necessárias para entender e planejar como proteger as florestas. Alguns governos forneceram as informações, outros não, justificando que as informações sobre as florestas é altamente confidencial e que as pessoas não devem saber sobre o assunto.

As florestas de faia europeia existem apenas em alguns poucos locais na Alemanha e são de extrema importância para a preservação de algumas espécies de animais, tais como lobos, linces e gatos selvagens, todos animais raros na Alemanha, extintos regionalmente no passado, e que agora começam a retornar ao país.

Sem a interferência humana, 90% do território alemão seria coberto por florestas, principalmente pela faia europeia. No entanto, hoje, apenas um terço do país é coberto por florestas, e apenas 14% da área de florestas é coberto por faia europeia. E florestas intactas, que demoram séculos para crescer naturalmente, não existem mais na Alemanha. O Greenpeace pede a proteção de 5% das florestas na Alemanha e o manejo ecologicamente sustentável nas florestas remanescentes. 

A perda imensa de faia europeia tem consequências dramáticas. Não são apenas as espécies em extinção que precisam dessas florestas para sobreviver, elas também desempenham um papel fundamental para o equilíbrio climático porque armazenam carbono no solo e na biomassa da madeira.

As espécies de crescimento mais antigo e as florestas de faia europeia em seu estado natural são o lar de uma grande biodiversidade, mais de 6 mil espécies de animais, o que explica a porque a faia europeia e as florestas naturais são tão valiosas para a Alemanha quanto a Amazônia é para o Brasil.

No entanto, pouco foi feito para salvar as últimas florestas de faia europeia. Ao invés de aumentar a proteção florestal, mais e mais são derrubadas. Nos últimos anos, a Alemanha tornou-se a segunda maior exportadora de produtos florestais – perdendo apenas para a China – com quase 60 bilhões de dólares de exportação.